EDITORIAL | Duas grandes obras

A política de Campos naquela época não tinha dinheiro, mas tinha influência

Geral
Por Redação
9 de fevereiro de 2020 - 0h01

Extinto pelo então governo Fernando Collor na década de 90, o Departamento Nacional de Obras e Saneamento – DNOS- foi o órgão que realizou duas grandes e necessárias obras em Campos. A mais percebida foi o reforço da bateria de diques tanto na margem esquerda quanto na direita do Rio Paraíba do Sul para livrar a área urbana de enchentes provocadas pelo transbordo do rio, como aconteceu em 1966, a pior da era contemporânea. Essa é a pauta da reportagem Especial desta edição.

A bateria de diques tem como coração o que se chama de Cais da Lapa, capaz de suportar a cota 10. Desde de que foi construída, consumindo milhares de toneladas de concreto, a cidade não voltou a experimentar o drama do alagamento generalizado. Talvez, hoje, uma obra desse porte seria inviável, mas naquela época o deputado Alair Ferreira, gozava de grande influência junto ao governo militar e conseguiu a verba necessária.

Também das pranchetas dos técnicos do DNOS surgiu o projeto de construção da maior malha de canais artificiais do país, com mais de 130 quilômetros, na Baixada Campista. Essa obra tinha como objetivo prioritário o aspecto sanitário. Em um segundo momento, passou a ser utilizada por produtores rurais também para irrigação de cana-de-açúcar.

Com o fim do DNOS, órgão que se dividia entre elogios de alguns segmentos e críticas dos ambientalistas, essa imensa malha de canais foi praticamente abandonada, assim como as comportas que fazem parte do sistema. Os canais estão paulatinamente sendo assoreados e as dragagens quando feitas se limitam a retirar a vegetação aquática.

Essas duas grandes obras ilustram bem a força política que Campos tinha naquela época. Não tinha dinheiro mas tinha influência. Depois veio a fase de muito dinheiro e pouca influência e hoje a de quase nenhum dinheiro e uma luta para retomar a influência que tinha.