Saúde mental em primeiro lugar no Janeiro Branco

A campanha traz a proposta de desacelerar, viver de forma simples e ter inteligência emocional

Saúde
Por Redação
14 de janeiro de 2020 - 9h18

Criada em 2014, a iniciativa Janeiro Branco chega a mais uma edição com objetivo de convidar as pessoas a refletirem sobre suas vidas, o sentido e o propósito delas, a qualidade dos seus relacionamentos e o quanto elas conhecem sobre si mesmas, suas emoções, seus pensamentos e sobre os seus comportamentos. Além disso, nesta campanha são colocados em larga evidência temas da Saúde Mental, visando a prevenção ao adoecimento emocional da humanidade. Para começar 2020 de forma diferente, existem caminhos que podem ajudar a mudar a vida de muitas pessoas.

A psicóloga Camila Medida afirma que com o aumento do número de casos de depressão e ansiedade, a sociedade tem tratado a saúde mental com mais cuidado. Segundo ela, os casos de psicopatologia vêm crescendo consideravelmente. Levantamentos já mostraram que 86% dos brasileiros possuem ou já possuíram algum transtorno psicológico.  Entretanto, as pessoas vêm se informando mais e, assim sendo, é crescente o número dos indivíduos que buscam apoio psicológico.

“Por muitos anos as questões psicológicas foram entendidas como criações, invenções da mente humana. Costumamos empregar de modo equivocado expressões que remetem a essa problemática, como “o frio é psicológico” ou “isso é coisa da sua cabeça”, como se tudo o que permeasse a mente fosse irreal. Além disso, existia uma imagem pejorativa, como se todos que apresentassem questões psi fossem loucos, daqueles que precisariam de camisa de força e que amedrontam. Sendo assim, por muitos anos foi construído o mito de que não se deve valorizar os pensamentos, angústias ou inquietações, pois eles seriam sinais de fraqueza, falta de Deus ou frescura”, explica.

Ainda sim, a especialista diz que como por muitos anos existiu a falácia de que apresentar transtornos mentais era algo vergonhoso, a sociedade ainda está se adaptando a entendê-los., em um movimento muito recente. Mas, as consequências desse tipo de patologia são muito graves, podendo levar, em casos extremos, à morte.

“Ao notar que nosso próximo não está em seus melhores dias, devemos oferecer todo o apoio, inclusive alertá-lo de que transtornos psicológicos não são frescuras, nem loucura e que têm solução. Um apoio, uma palavra pode ser a diferença para salvar uma vida. Nossa sociedade vive em um ritmo de vida acelerado. São muitas informações, diversas cobranças, prazos curtos e, para conseguirmos dar conta de tudo, trabalhamos, estudamos e raras vezes nos permitimos o lazer. Todavia, para uma saúde mental equilibrada, precisamos ter oportunidades de esvaziar os pensamentos, ou seja, relaxar. Assim como encontramos tempo para trabalharmos, nos alimentar, precisamos separar um momento para sermos livres, o que ocorre no lazer. Não precisa ser uma atividade que gere custos, tampouco sair de casa. O segredo é encontrar algo que faça sentir felicidade ao realizar e que tenha relação com sua personalidade”, frisa

Como o Janeiro Branco pode ajudar as pessoas?

Segundo a psicóloga, o Janeiro Branco ajuda na medida em que se discute e se fala mais sobre as psicopatologias. Como é comum iniciar o ano fazendo novas resoluções e refletindo mais, é o momento propício para nos cuidarmos e dar atenção à saúde mental. Com as redes sociais, as pessoas têm compartilhado as artes que alertam para as causas psicológicas e isso pode incitar em quem sofre a buscar ajuda e a entender que não está sozinho.

“O primeiro passo é entender que só quando estamos bem com quem somos, seguros do que queremos, aí sim poderemos conquistar o que almejamos. É necessário reconhecer o que você faz que prejudica sua saúde mental e ter coragem para mudar o quadro, já que, muitas vezes, nos prendemos às situações por comodismo ou por não conseguir imaginar outra saída. Outro ponto importante é não querer acelerar ou colocar prazo para que as coisas funcionem em nossa vida. Tudo o que fizermos, com empenho, em algum momento dará certo. De nada adianta conquistar algo se o caminho até a conquista tenha levado sua saúde. Ao chegar “lá”, se o emocional não estiver em dia, não haverá como desfrutar da conquista”, revela.