Vereadora Linda Mara se entrega à Polícia Federal, em Campos

Condenada por compra de votos, vereadora afastada ficou foragida por cerca de dois meses e meio

Polícia
Por Redação
12 de janeiro de 2020 - 15h31

Linda Mara. (Foto: JTV)

Cerca de dois meses e meio após ser declarada foragida, a vereadora cassada Linda Mara da Silva (PTC) se entregou na tarde deste domingo (12), na delegacia da Polícia Federal (PF), em Campos.

Linda Mara chegou acompanhada de advogados. A vereadora afastada foi ouvida e encaminhada para o Instituto Médico Legal (IML), em Campos, onde passou por exame de corpo de delito. Depois, ela foi levada para o presídio feminino Nilza da Silva Santos, onde se encontra presa.

Kellenson Ayres Figueiredo de Souza, o Kellinho (PR), Thiago Virgílio (PTC) e Linda Mara foram condenados a cinco anos e quatro meses de reclusão em regime semiaberto, pagamento de multa, perda de seus mandatos de vereador e suspensão de seus direitos políticos por participação em um esquema que trocava votos por inscrições fraudulentas no programa social Cheque Cidadão, durante as eleições municipais de 2016.

As prisões foram decretadas pelo presidente em exercício do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), desembargador Cláudio Brandão de Oliveira, após as ações contra Linda Mara, Virgílio e Kellinho terem transitado em julgado, sem chance de alteração da condenação. O trio foi declarado foragido depois de duas semanas de buscas.

Kellinho se entregou à PF no dia 31 de outubro, poucas horas após o delegado Paulo Cassiano conceder uma coletiva sobre o assunto a veículos de imprensa de Campos. No mesmo dia, ele foi transferido para o Presídio Carlos Tinoco da Fonseca. Na mesma unidade prisional está Virgílio, que foi preso pela Polícia Militar (PM) ao sair de casa, no dia 3 de novembro. Apenas Linda Mara não foi localizada.

Prisões em 2016

Linda Mara já havia sido presa pela Polícia Federal em 31 de outubro de 2016 em um hotel em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro, também por envolvimento no caso “Chequinho”. Na ocasião, ela também chegou a ser considerada foragida. Linda Mara conseguiu um habeas corpus e foi liberada dias depois, em 4 de novembro. Em 27 de abril de 2017, a Justiça Eleitoral decretou a prisão domiciliar da ex-vereadora, mas a defesa também conseguiu reverter a decisão.

Em 26 de outubro de 2016, a Polícia Federal efetuou a prisão de Kellinho pelo mesmo crime. Ele foi solto no dia 4 de novembro, junto com Linda Mara.

No dia 29 de outubro do mesmo ano, Thiago Virgílio foi preso pela PF e conseguiu um habeas corpus cinco dias depois.

Chequinho

Segundo as apurações da PF, 34 candidatos a vereadores e ex-secretários participaram do esquema, que loteou o Cheque Cidadão entre aliados de Rosinha Garotinho, então prefeita de Campos quando a Operação Chequinho foi deflagrada. Eles recebiam uma determinada quantidade de vagas irregulares no programa social, segundo seu prestígio e/ou potencial eleitoral, e as distribuíam em seus redutos eleitorais. Ainda segundo as investigações, próximo às eleições municipais de 2016, em apenas três meses, o número de beneficiários do Cheque Cidadão saltou de 11.500 para 30.500. Cada um recebia R$ 200.

Dos envolvidos, 11 se elegeram, mas acabaram denunciados pelo Ministério Público (MP) e condenados em primeira instância à cassação dos mandatos e inelegibilidade por 8 anos. Conforme as sentenças foram sendo confirmadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e os recursos na Corte se esgotavam, os réus foram obrigados a deixarem a Câmara.

Foram afastados pela Justiça Eleitoral os vereadores eleitos Jorge Magal (SD), Jorge Rangel (PTB), Kellinho (sem partido), Linda Mara (PTC), Miguelito (PSL), Ozeias (PSDB), Roberto Pinto (PTC), Thiago Ferrugem (PR), Thiago Virgílio (PTC) e Vinícius Madureira (PRP), além dos suplentes Carlinhos Canaã (PTC), Geraldinho de Santa Cruz (PSDB) e Thiago Godoy (PR).