Opinião: a ilha de muitas histórias

Ilha da Convivência, que já teve uma parte engolida pelo mar, ficando cada vez mais miúda, é dona de uma história grandiosa

Opinião
Por Redação
12 de janeiro de 2020 - 0h01

Por ALOYSIO BALBI

A reportagem Especial desta edição trata da nova fotogenia do Delta do Rio Paraíba do Sul, no Pontal de Atafona, que está permitindo que as pessoas cheguem a pé na Ilha da Convivência, onde a informalidade aproveita a oportunidade e monta quiosques rústicos para ganhar um troco neste verão.

Mas a ilha da Convivência, que já teve uma parte engolida pelo mar, ficando cada vez mais miúda, é dona de uma história grandiosa que poucos se dão conta e a reportagem de Thiago Gomes trata um pouco disso.

Bom relembrar que ela já foi chamada da Ilha dos Olhos Azuis, porque a maioria dos seus habitantes tinha olhos azuis. Atribuem isso a presença de soldados holandeses no curso da II Guerra Mundial, que sobreviveram a um naufrágio de um navio e passaram a morar na ilha durante um tempo, deixando sementes para trás.

Existe também questões de comportamento e cultura que projetaram a pequena ilha nacionalmente como a forma que eram arranjados os casamentos por lá. O noivo tinha que roubar a noiva durante a noite invadindo sua casa. Era um ritual.

Por fim lembrar que a ilha foi escolhida pelo ator e diretor Antônio Pitanga para ser o cenário do filme “Na Boca do Mundo” que foi escrito ironicamente por Cacá Diegues. Para se ter uma ideia a protagonista era nada mais nada menos que Norma Bengell, uma das maiores atrizes brasileiras.

Para o filme Jorge Benjor, na época Jorge Bem, compôs uma música especial que foi interpretada por Caetano Veloso. O cartaz do filme foi confeccionado por Ziraldo. O filme é todo rodado no Pontal de Atafona e na Ilha da Convivência. Para muitos, um filme simples, mas um clássico que envolveu grandes nomes.