Bolsonaro e a cota de tela para o cinema nacional

Não restam dúvidas que se trata de uma conduta presidencial que para muitos não é liberal, mas um ótimo incentivo para o cinema nacional.

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Por Cláudio Andrade
8 de janeiro de 2020 - 12h24

O presidente do Brasil Jair Messias Bolsonaro  fez publicar um decreto que estabelece o número mínimo de dias que deverão ser dedicados no ano de 2020 ao cinema nacional, pelas empresas proprietárias de complexos de exibição de filmes.

O decreto saiu em uma edição extra do “Diário Oficial da União” na véspera do Natal. No texto, a empresa que tiver apenas uma sala de cinema, terá de exibir, no mínimo, 27 filmes nacionais, aproximadamente. Nesse exemplo, a empresa detentora de salas, terá de reproduzir três títulos nacionais diferentes.

Foto: (Divulgação)

Vale informar que o decreto anterior, publicado em 2017 e que vigorou em 2018, determinava 28 dias de exibição. Trata-se da chamada “cota de tela”, que varia de acordo com o número de espaços disponíveis pelas empresas reprodutoras das películas.

Para exemplificar melhor para os leitores dessa coluna, um complexo composto por mais de 20 salas, por exemplo, terá de exibir no mínimo 24 filmes brasileiros em 2020.

O decreto ainda prevê que as empresas que exibirem filmes nacionais de forma espontaneamente, a partir das 17h, obterão benefícios de desconto no patamar de 20%, na hora do cálculo, da obrigatoriedade de exibição das obras rodadas no Brasil.

A obrigatoriedade da exibição de filmes nacionais teve início com uma medida provisória (MP) de 2001 que tratou do tema e obrigou as salas de cinema a exibirem longas brasileiros por um número de dias fixos dando a incumbência da fiscalização para a Agência Nacional do Cinema (Ancine).

Não restam dúvidas que se trata de uma conduta presidencial que para muitos não é liberal, mas um ótimo incentivo para o cinema nacional. No Brasil há milhares de filmes que não conseguem chegar as grandes telas e o decreto poderá fazer com que essas obras ainda desconhecidas do grande público possam aparecer mais, revelando, inclusive, novos atores, produtores e roteiristas.

Precisamos entender que o cinema verde e amarelo não se resume apenas ao ‘Auto da Compadecida’, ‘Central do Brasil’, ‘Tropa de Elite’ ou ‘Lula, o filho do Brasil’. Temos obras saindo do forno todos os dias e elas precisam ser apresentadas ao máximo de pessoas possível, em que pese o valor alto dos ingressos.

Além do decreto, seria importante o incentivo para que esses filmes fossem apresentados nas praças públicas do Brasil. Cinema de qualidade, retratando nossa cultura e disponível a todos, fazendo inclusão social sem custo para o consumidor.

Quem sabe os filmes “Eduardo e Mônica”, “Simonal”, “Hebe” e “Minha Fama de Mau” não estarão, em breve nas pracinhas do seu bairro, sem custo algum, cabendo a você, apenas ver o que o mercado nacional de filmes tem a oferecer?

Feliz Ano Novo!