Vídeo: Milhares de peixes mortos encontrados em praia de São Francisco

No balneário de Lagoa Doce, pelo menos três espécies foram parar nas areias da costa; ainda não se sabe o motivo

Meio Ambiente
Por Ocinei Trindade
2 de janeiro de 2020 - 14h07

Peixes pequenos se espalharam pela praia de São Francisco (Imagens: Ocinei Trindade)

Quem começou o ano de 2020 em São Francisco de Itabapoana, Norte Fluminense, se deparou com uma surpresa desagradável na praia de Lagoa Doce, uma das mais bonitas do litoral. Uma enorme quantidade de peixes mortos foi encontrada em uma extensa faixa de areia na quarta-feira (1) com cerca de três quilômetros. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Defesa Civil informou nesta quinta-feira (2) que ainda não se sabe o que causou a mortandade dos peixes.

Turistas que escolheram a praia de Lagoa Doce — que possui uma extensa faixa de areia —,  estranharam a quantidade de peixes mortos trazidos pelas ondas e que se espalharam pela costa. O balneário está próximo ao distrito de Barra do Itabapoana e ao Rio Itabapoana que divide os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo.

A maior parte dos peixes encontrados é de pequeno porte ou filhotes

“Eu gosto muito da praia porque é linda e ótima para banhos. Porém, lamentei ver tanto peixe morto e a cor da água avermelhada e com uma espuma. Parecia poluída”, comentou a turista Rosemary Ramos que mora em Itaperuna e costuma passar férias na região.

De acordo com a secretária de Meio Ambiente de São Francisco, Luciana Landim, esta é a segunda vez em duas semanas que peixes aparecem mortos na praia. Ela explicou que a Secretaria de Obras e Limpeza Pública fará a a remoção dos peixes ainda esta semana. Entretanto, é preciso colher amostras e encaminhar para exames a fim de saber o que estaria provocando a morte das espécies.

“O CTA da Petrobras cuida apenas de registros de tartarugas marinhas por causa do Projeto Tamar. O município não tem condições de realizar esse tipo de análise laboratorial. Vamos tentar contatos com pesquisadores da região e órgãos ambientais como o Inea para identificar o que está acontecendo”, disse.

Segundo Luciana Landim, há algumas especulações sobre a água salgada do mar estar afetando os rios da região que estão cheios por causa do período de verão.

Registro da Secretaria de Meio Ambiente de SFI nesta quinta-feira(2)

“Identificamos muitos filhotes de sairus. Talvez, como os rios que estão com volumes cheios, o choque da água salgada do mar com a água doce da foz do Itabapoana poderia estar provocando o impacto. Esses peixes encontrados são comuns de rios. Porém, seria necessário confirmação de laboratórios e pesquisadores especializados”, comentou.

No fim de novembro de 2019, autoridades confirmaram fragmentos de petróleo compatível ao que vazou e se espalhou pelas praias do Nordeste e do Espírito Santo. Pequenos fragmentos foram removidos das praias de Santa Clara e Guriri, em São Francisco de Itabapoana. Na ocasião, foi intensificada uma força-tarefa com equipe técnica, que recolheu e entregou os fragmentos de óleo Instituto Estadual do Ambiente (Inea).

A assessoria de comunicação do Inea informou, por meio de nota, que fará uma vistoria no local.

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