“Que essa mesa seja farta, que essa casa seja santa”

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Guilherme Belido Escreve
Por Guilherme Belido
22 de dezembro de 2019 - 0h01

“Que essa mesa seja farta, que essa casa seja santa”

Pelo nono dezembro consecutivo esta página circula na imprensa de Campos. Ainda não completou nove anos, visto que a primeira publicação aconteceu em meados de 2011. Mas são nove natais.
Na maioria das vezes interpreta ou comenta o que é notícia. Em outras, opina, pura e simplesmente – o que é semelhante, mas, à luz da sutileza, não exatamente idêntico aos dois conceitos anteriormente citados.
Muito ocasionalmente ocorre de dar a própria notícia – a informação em sua essência – numa circunstância em que o fato noticioso surge ao apagar das luzes e coincide com a possibilidade de se ‘espichar’ o fechamento da edição. Mas é bastante incomum, muito embora já tenha ocorrido. Evidente que me refiro às fronteiras do jornal físico, não à instantaneidade do online.
Enfim, toda essa volta apenas para relembrar que uma vez por ano a página deixa de lado a notícia, a opinião, a crônica – bem como o fato histórico, as datas significativas, gente que fez história e realizações que merecem ser lembradas – para se incorporar ao espírito de Natal.
Assim, excepcionalmente, a diversificada plataforma de conteúdos dá lugar a essa belíssima e iluminada imagem de Jesus na Manjedoura, reproduzida ano após ano, para lembrar que é tempo de Natal. E acredito que, depois de longa jornada, a prática seja conhecida do público. Afinal, ‘nessa altura do campeonato’, alguns leitores a página há de ter.

Momento especial

Numa semana de festejos e celebrações, penso que os votos de um feliz recomeço, frequentemente lembrados na passagem de ano, sejam mais próprios no Natal.
Isso porque enquanto o Ano Novo não vai além de uma simples de uma simples folhinha no calendário, é no Natal que se há de buscar a franca renovação. Afinal, recomeçar no dia do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, é recomeçar com o coração.
Mais ainda, é ter a convicção de que a busca de Sua palavra e de Seus ensinamentos é que irá, efetivamente, nos conduzir à verdadeira transformação, para que nos tornemos pessoas melhores, fugindo à nossa inclinação natural, qual seja a de ser má em si mesma: “Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço”. (Romanos 7-19).
Ao tema que se repete a cada final de dezembro se constrói, por óbvio, texto personalizado – não raro associado a algum fato do referido ano. Neste, não foi o caso. Contudo, uma certa similaridade, ainda que de longe, é inevitável.
De proposital, frise-se, a mesma ilustração –, que poderia ser outra, semelhante como tantas, mas talvez não tão bonita – e a admirável sensibilidade das letras de Ivan Lins (‘Bandeira do Divino’ e ‘Guarde nos Olhos’), que falam por si e de cujos versos retirou-se o título deste escrito com pretensão de mensagem.

 

BANDEIRA DO DIVINO

Os devotos do Divino
Vão abrir sua morada
Pra bandeira do menino
Ser bem-vinda, ser louvada, ai ai

Deus nos salve, esse devoto
Pela esmola em vosso nome
Dando água a quem tem sede
Dando pão a quem tem fome, ai ai

A bandeira acredita
Que a semente seja tanta
Que essa mesa seja farta
Que essa casa seja santa, ai ai

Que o perdão seja sagrado
Que a fé seja infinita
Que o homem seja livre
Que a justiça sobreviva, ai ai

Assim, como os três reis magos
Que seguiram a estrela-guia
A bandeira segue em frente
Atrás de melhores dias, ai ai

No estandarte, vai escrito
Que ele voltará de novo
E o Rei será bendito
Ele nascerá do povo, ai ai

 

GUARDE NOS OLHOS

Guarde nos olhos
A água mais pura da fonte
Beba esse horizonte
Toque nessas manhãs

Guarde nos olhos
A gota de orvalho chorando
Guarde o cheiro do cravo
Do jasmim, do hortelã

Guarde o riso
Como nunca se fez
Corra os campos
Pela última vez

Guarde nos olhos
A chuva que faz as enchentes
Vai um pouco com a gente
Rumo a capital

Vai dentro da gente
Vamos pra capital
Tá nos olhos da gente
Vamos pra capital