25 anos da morte de Tom Jobim

A Obra do grande maestro

Guilherme Belido Escreve
Por Guilherme Belido
8 de dezembro de 2019 - 0h01

Ele nasceu na Tijuca e logo foi morar em Ipanema, bairro onde cresceu e de onde tirou inspiração para algumas de suas mais belas composições. O menino que começou a estudar música aos 13 anos e passou a vida percorrendo o mundo – particularmente entre o Rio e Nova York – foi, acima de tudo, um brasileiro… brasileiro até no nome: Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim.
O domingo, 08 de dezembro, marca os 25 anos da morte do poeta, escritor, compositor, cantor, arranjador, violonista, pianista e maestro Tom Jobim – um dos maiores nomes da música popular brasileira de todos os tempos. Ou, dizendo melhor, da música no seu todo, porque Tom transitou entre o simples e o sofisticado, entre o popular e o clássico. Percorreu da sinfonia à canção; do samba ao jazz, e ajudou João Gilberto a criar a Bossa Nova – um novo som, uma nova batida.
Se da Bossa Nova, por justiça, cabe dar João Gilberto o título de pai do novo estilo musical que embalou toda uma geração, a Tom Jobim há de se conferir o conjunto da obra. Dois gênios: um do violão, outro do piano. Mas Tom regeu tudo. Todos os sons, todos os temas, todos os estilos e todas as misturas. Foi o maestro da poesia contada em notas musicais.

Gênios da música

Nos últimos tempos o Brasil vem aprendendo a homenagear, a documentar e a contar a história de seus gênios – que por sinal não são poucos –, mas que durante décadas passaram em branco.
A dívida da cultura nacional para com o compositor, músico e narrador esportivo Ary Barroso (1903-1964), talvez o primeiro dos gênios da música brasileira, segue em aberto.
Ary pode até não ter sido o primeiro, mas foi sua ‘Aquarela do Brasil’ que abriu as portas para o mercado internacional, em especial para os Estados Unidos. Antes, não se tocava música brasileira no exterior.
Mas o que dizer de Noel Rosa (1910-1937), o ‘Poeta da Vila’, que morto com apenas 27 anos deixou um mundo de composições e elevou o patamar do samba?

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“VIVER NO EXTERIOR É
BOM, MAS É UMA M….
VIVER NO BRASIL É
UMA M…, MAS É BOM”
(Tom Jobim)
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O “Tom” de todos os tempos

Na música, na poesia e nas artes em geral, o Brasil é tão vasto como seu tamanho continental. Logo, não dá para enumerar aqui nem uma pequenina parcela do que há para ser contado.
Mas Tom Jobim, ao longo de 40 e poucos anos de carreira, deixou a obra mais completa e diversificada de que se tem notícia. Por isso é considerado, entre todos os grandes, um gigante. Para a revista Rolling Stone, “o maior expoente de todos os tempos da MPB”.
Filho de poeta, escritor e jornalista, a extensão da obra de Tom Jobim não combina com quem morreu com apenas 67 anos, no auge de sua produção artística. Parceiro de Vinícios de Moraes, fez música para os bichos, para a natureza e para o meio-ambiente, quando isso ainda não era moda.
“Aprendiz” de Pixinguinha, foi amigo de Frank Sinatra, com quem, além de gravar “Garota de Ipanema”, produziu o álbum ‘Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim’.
Em Nova York, no dia 08 de dezembro de 1994, Tom Jobim se despedia da vida para ingressar na história dos grandes músicos do mundo.
Terminava ali a saga do menino nascido na rua Conde do Bonfim e que hoje dá nome ao Aeroporto Internacional do Rio. Do rapaz que chegou a cursar arquitetura, mas não tardou a abandonar e se dedicar à música, apresentando-se nos bares e boates de Copacabana, para depois ganhar o mundo, tocando e cantando ao lado das maiores vozes do planeta.
Para Tom Jobim, nunca ‘chega de saudades’.