Com oito meses de atraso no repasse de verbas municipais, Educandário dos Cegos corre risco de fechar

Dívida da Prefeitura com a instituição chega a R$ 576 mil

Campos
Por Redação
28 de novembro de 2019 - 9h27

Instituição tem 173 alunos (Foto: Silvana Rust)

Com oito meses de verbas da Prefeitura de Campos em atraso, o Educandário São José Operário, também conhecido como Educandário dos Cegos, não sabe até quando poderá manter as atividades que atendem a 173 deficientes visuais não só do município, mas do Norte e Noroeste do Estado do Rio. A informação é da coordenadora da instituição, Angélica Pereira, que diz estar preocupada com o futuro na unidade. A dívida do município com o único educandário que presta atendimento especializado a deficientes visuais da região ultrapassa meio milhão de reais. Há seis meses, uma reportagem especial do Jornal Terceira Via mostrou que o educandário já enfrentava uma situação delicada na época.

Segundo Angélica, o Educandário do Cegos tem dois convênios com a Prefeitura de Campos. O primeiro, que está em dia, garante repasse de cerca de R$ 22 mil mensais. O problema está no segundo, de cerca de R$ 72 mil, cujo atraso já acumula um montante de R$ 576 mil. Ainda segundo a coordenadora, o dinheiro tem feito muita falta para manter as contas em dia.

“Já estamos com aviso de corte de água e energia. Inclusive, há alguns meses, cortaram a nossa energia. Com muito custo, graças a doações, campanhas, bingos, conseguimos restabelecer o serviço para que as aulas não fossem interrompidas”, lembrou.

Unidade atende crianças e adultos (Foto: Silvana Rust)

Como a verba municipal não tem chegado à instituição integralmente, a coordenadora conta que está difícil manter o salário da equipe em dia. “Ninguém faltou ainda. Todos continuam trabalhando por amor à instituição e aos alunos. Pois temos um trabalho importante aqui, por meio do qual promovemos a independência dessas pessoas e a autoestima também”, destacou Angélica.

São 173 deficientes assistidos, entre crianças e idosos, sem contar os que estão na fila de espera por uma vaga. Se estivesse com todos os atendimentos em funcionamento, seriam 20 os serviços disponibilizados, entre eles Orientação e Mobilidade, Estimulação Precoce, Pedagogia, Braille (leitura e escrita) e Soroban (matemática), Práticas Educativas para uma Vida Independente (Pevi), Informática Adaptada, Psicologia, Letra Cursiva (aprendem a assinar o próprio nome), Equoterapia e Percussão. Por causa das dificuldades financeiras, muitos dos atendimentos estão interrompidos e sem previsão de retomada.

Confira na íntegra a posição da Prefeitura sobre o assunto:

A entidade possui dois convênios com a prefeitura. Pelo convênio da assistência, já recebeu em 2019 o total de R$720.696,19 tendo sido último repasse na última segunda-feira (25). Já pelo convênio da infância e adolescência recebeu este ano o total de R$240.454,70 tendo sido efetuado o último repasse nesta quarta-feira (27). De acordo com o termo de cooperação, assinado no início do ano, o município só está autorizado a liberar parcela referente a um mês, mediante prestação de contas do mês anterior, que passa por auditoria para dar segurança à aplicação da verba pública. O valor de aproximadamente R$ 600 mil se refere ao período de abril a dezembro, cujo pagamento é dividido em parcelas. Deste período, duas prestações de contas foram aprovadas e estão tendo os pagamentos liberados.

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