A dificuldade de ser honesto

Willian Shakespeare eternizou a frase de que nenhuma herança é tão rica quanto à honestidade.

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Por Cláudio Andrade
18 de novembro de 2019 - 16h05

O filósofo Cícero já dizia que “viver feliz não é mais do que viver com honestidade e retidão”.

Na atualidade, essa obrigação está sendo deturpada pois os honestos estão enfrentando um deserto enorme, sem água e comida para se manterem dentro da honestidade.

Atuar com lisura, respeitar as pessoas, cumprir com as suas obrigações, não roubar ou furtar terceiros está sendo considerado algo irrelevante para grande parcela de pessoas que viram no oportunismo a chance de crescer, mesmo que isso cause danos irreparáveis à moral de alguém.

Willian Shakespeare eternizou a frase de que nenhuma herança é tão rica quanto à honestidade. Contudo, não vejo essa conduta em alta pelo país.

 

Tem gente roubando, descumprindo contratos, furtando, sonegando, furando fila, fraudando INSS, hackeando senha de aposentado, declarando vivo quem está morto e mesmo assim, tem gente que acha que existem justificativas para isso.

 

Gente, onde estão os louros para aqueles que pagam IPVA e o parcelamento do Imposto de Renda? Onde estão os aplausos para os que não possuem gato de TV a Cabo e de luz?

 

Onde estão as honrarias para os que abastecem seus veículos em postos que não possuem gasolina batizada, que não compram ingresso falso para eventos musicais e que ficam constrangidos em pagar meia entrada mesmo sabendo que todos pagam?

 

Nunca foi tão atual a frase do mestre Rui Barbosa: “de tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.

 

Caros leitores, que tal elogiarmos quem atravessa na faixa de pedestres ou aquele que dá lugar no transporte público para o idoso sentar?

 

Difícil ser honesto pois essa atitude requer um enfrentamento desgastante com aqueles que já se moldaram ao sistema das facilidades. Para os desonestos, tudo se justifica, pois, para acalentar a ilegalidade cometida há sempre o sermão de que fazem por indignação social ou por ódio do governo.

 

O lance é continuar sendo honesto sim! As dificuldades financeiras, sociais e de relacionamento nos provocam e nos convidam a vislumbrar tempos nublados, mas a nossa ética e moral precisam se manter inabaláveis, pois uma casa na rocha suporta ventos contrários.

 

A honestidade é elogiada por todos, mas ela morre de frio. E o grande lance é lembrar sempre de que a honestidade não se promete, se pratica!