São Fidélis no topo da cultura: Distrito de Pureza vai ganhar dois museus

Criação dos acervos de Ricardo Cravo Albin e do açúcar e do álcool está em fase adiantada

Cultura
Por Aloysio Balbi
14 de novembro de 2019 - 16h15

Empresário Renato Abreu (Foto: divulgação)

O empresário Renato Ribeiro Abreu, presidente do Grupo MPE Engenharia e Agronegócios, vai colocar o pequenino distrito de Pureza, que pertence a São Fidélis, no mapa da cultura do Brasil. Ele comprou talvez o maior acervo de música popular brasileira e de depoimentos históricos de compositores, músicos e letristas, que foi montado ao longo de 50 anos por Ricardo Cravo Albin, um dos maiores especialistas em Música Brasileira do país e que presidiu por várias gestões o Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro.

O valor da transação não foi revelado, mas Renato Abreu, que é um dos maiores fomentadores de cultura do Brasil, diz que “esse acervo não tem valor, é precioso demais, portanto não interessa citar números. Qualquer valor é barato perto da sua importância para nossa cultura”, disse o empresário que tem sua marca em grandes projetos culturais, já tendo sido homenageado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, como o maior investidor privado em cultura do estado.

Há 10 anos, Renato Abreu criou em São Fidélis, sua terra natal, o IRLA – Instituto Renan & Lídia Abreu-, uma instituição criada em homenagem a seus pais, com o objetivo de fomentar cultura na região já tendo editado livros regionais. O IRLA também tem sua perna social com assistência a menores de São Fidélis com uma grande estrutura esportiva e médica, que funciona próximo a fazenda da Pedra.

A ideia de levar o acervo de Ricardo Cravo Albin para Pureza, vem ao encontro de uma outra que Renato Abreu tinha, de montar o primeiro museu do Açúcar e do Álcool também em Pureza, na desativada usina que pertence ao seu grupo. O acervo do museu do Açúcar e do Álcool já está sendo catalogado e será composto de documentos e de equipamentos operacionais usados em muitas fases do ciclo do açúcar em toda Região.

Já o acervo de Ricardo Cravo Albin, que também será um museu, ficará em um casarão que foi totalmente reformado mantendo suas características arquitetônicas, de 1885 sede administrativa do então Engenho Central de Pureza. Esse espaço será aberto a visitantes e principalmente a pesquisadores, o que deverá mexer com a rotina de Pureza, um lugar bucólico, a 20 quilômetros de São Fidélis.

Usina de Pureza (Foto: divulgação)

Segundo Renato Abreu, já existe em São Fidélis hotéis e pousadas como a do Barroco, para abrigar pesquisadores de outras cidades, estados e países. Ele considera a interiorização da cultura extremamente importante e lembra que no Solar da Baronesa, em Campos, o então presidente da Academia Brasileira de Letras – ABL- Austregésilo de Athayde quis montar o que seria a maior biblioteca brasiliana do mundo, anexo ao Solar. As obras físicas foram iniciadas, mas o projeto não foi à frente com a morte de Athayde.

“Nosso grupo, desde o início, decidiu investir em cultura e poderia citar aqui uma série de ações. Em especial com a música. Foram dezenas de trabalhos, o mesmo fizemos com a literatura. Então, temos essa vocação e achamos de suma importância”, disse Renato Abreu.

A data para as inaugurações dos dois museus que irá mudar a história da cultura de São Fidélis e por extensão de toda região, ainda não foi marcada. Não está descartada a ideia de inaugurações simultâneas, mas isso ainda está sendo definido pelo IRLA. Possivelmente tudo estará definido no curso do ano que vem.