Rafael Diniz exonera Nildo Cardoso

Ex-superintendente de Abastecimento criticou publicamente falta de resposta do Governo a demandas do órgão

Política
Por Redação
23 de outubro de 2019 - 13h16

(Foto: Silvana Rust)

“Estou fora do governo e é definitivo”, firmou o ex-superintendente de Abastecimento de Campos, Nildo Cardoso, no início da tarde desta quarta-feira (23), ao Jornal Terceira Via. Ele havia sido exonerado pelo prefeito Rafael Diniz (CDN) horas antes. A portaria que torna sem efeito sua nomeação para o cargo, criado especialmente para abrigá-lo, foi publicada em edição suplementar do Diário Oficial.

Próximo de Rafael desde o tempo em que ambos integravam a diminuta bancada de oposição ao governo Rosinha Garotinho na Câmara de Vereadores, Nildo disputou contra o atual prefeito o comando do município em 2016, ficando em quarto lugar.

Apesar de terem sido adversários na eleição, Nildo foi um dos primeiros convidados a integrar o governo Rafael Diniz, como secretário de Agricultura. Em junho deste ano, deixou o comando da pasta, que passou a Robson Correa Vieira, para assumir a então recém-criada superintendência de Abastecimento.

A exoneração acontece após Nildo falar publicamente, a uma rádio do município, sobre a demora do Governo em oferecer retorno a demandas da superintendência, que trabalhava principalmente pelo estabelecimento da Central de Abastecimento de Campos (Ceascam), retomando o antigo Ceasa, em Guarus.

Nildo afirmou que, apesar de ter entregue há dez dias um pedido de criação de uma associação sem fins lucrativos para gerir R$ 3,4 milhões em recursos de emendas parlamentares obtidos pelo agora ex-superintendente junto ao deputado federal Felício Laterça (PSL), não obtinha retorno do governo.

O documento, diz Nildo, foi entregue ao próprio prefeito, para que fosse encaminhado à Procuradoria-Geral do Município, mas não teve andamento. Uma reunião havia sido marcada para esta quarta-feira, às 14h.

Diante da dificuldade de tocar o projeto, Nildo disparou, ao microfone: “Se me falarem que não dá para tocar aquilo lá, entrego o cargo no mesmo momento. Para mim, não dá”.

Ao Jornal Terceira Via, Nildo afirma que o pedido foi entregue há cerca de 10 dias, mas que vinha enfrentando dificuldades de falar com o procurador-geral, José Paes Neto. “Minha preocupação era com o prazo. As emendas parlamentares tem prazo para serem resolvidas e ele se esgota no próximo dia 31”, justifica o ex-superintendente. “Então, eu avisei que se não definisse até 14 h, eu sairia pois não queria receber sem poder trabalhar”.

Nildo garante, também, que a atenção dada à superintendência, durante o tempo que a comandou, era insuficiente e dificultava sua atuação. “A superintendência compreende quatro cargos. Somente dois foram preenchidos: eu e um rapaz que eu trouxe do Rio, por sua experiência com o Ceasa. Nunca tive uma sede e nem uma secretária”, revela.

Receber sem trabalhar

Durante entrevista à rádio, além de cobrar do governo uma posição a respeito do Ceascam, Nildo ainda afirmou que há, na Prefeitura, funcionários recebendo sem trabalhar: “30% do pessoal da Prefeitura deveria entregar o cargo. Porque não trabalham, só recebem. Isso acontece no primeiro, segundo, terceiro escalão”.

Questionado sobre a afirmação, Nildo afirmou não temer a repercussão. “Não estou preocupado com mal estar. Preocupo-me com a verdade. Se dói, vai doer a quem está devendo”.

Posicionamento oficial

Em nota, a Prefeitura de Campos informou que “não comentará declarações do ex-superintendente, nem decisões internas. O nome do próximo titular da Pasta de Abastecimento será anunciado pelo prefeito Rafael Diniz em breve”.

Veja abaixo a reprodução da portaria que exonera o ex-superintendente: