Candidatos ou olheiros de plantão?

O problema desses que antecipam o processo eleitoral será com a Justiça, que está acompanhando os chamados ‘animadinhos’ apressados.

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Por Cláudio Andrade
7 de outubro de 2019 - 12h41

Estamos a menos de um ano das eleições municipais e a corrida já não é velada e, sim, expressa. Afinal, tem centenas de pessoas querendo ser vereador.

Nesse afã tem gente que já disse que é candidato, outros dizem que os amiguinhos imaginários que irão decidir. Alguns, já se consideram eleitos e, no discurso, não cravam menos de três mil votos.

O problema desses que antecipam o processo eleitoral será com a Justiça, que está acompanhando os chamados ‘animadinhos’ apressados.

A questão mais grave são os agentes públicos que estão preocupadíssimos em realizar seus sonhos eleitorais, mas não conseguem descer do muro em que subiram na primeira tempestade do governo Rafael Diniz.

Os caras estão tontos, pois não querem abrir mão de seus desejos de estarem ocupando uma cadeira no antigo Forum Nilo Peçanha, mas também não querem dizer por aí, que são governo.

Eles querem o poder (que já não é muito grande), mas se expor, não! Isso, definitivamente, NÃO!

Não acredito em muitas candidaturas vindas de secretários. Mesmo assim, o fato de estarmos na fase das articulações, faz com que muitos se achem garantidos no pleito e, convictos disso, dificultam a vida administrativa do governo que, por si só, já tem milhares de problemas para serem sanados.

Nesse contexto, tem agente público e aí, não estou falando propriamente de alguns secretários, que já pularam, mas não são loucos a ponto de entregar suas funções, pois além da necessidade econômica, são olheiros de pré-candidatos de oposição.

Nesse artigo não estou fazendo nenhuma análise espetacular, nem mesmo levantando um assunto inédito. No final do governo Rosinha aconteceu o mesmo. A tropa do pula-pula começou a fazer cena de revolta e aos poucos foram migrando para a candidatura de Rafael.

Hoje, há muitas pessoas no governo atual que já pularam e já articulam com postulantes da oposição. Natural? Para muitos, sim. Contudo, não é ético ser remunerado por um gestor e estar arquitetando a sua queda com opositores.

Não estou aqui defendendo os erros da gestão do Prefeito Rafael Diniz, nem mesmo discorrerei sobre seus acertos. Apenas entendo que há uma necessidade de identificarmos quem é quem no processo eleitoral que já bate a nossa porta. Os lobos em pele de cordeiro precisam ser identificados e liberados para sonharem de forma verdadeira. Eles possuem o direito de migrarem para onde entenderem melhor.

Esses espertalhões são muito parecidos com aquele marido que não quer mais ficar casado, mas não libera a mulher para novos voos. Ser secretário municipal ou agente público de uma prefeitura é ter ônus e bônus.

O que não pode é usar o pouco do bônus em proveito próprio e as mazelas como forma de desculpa para milhares de pessoas que batem nas secretarias atrás de um serviço público e recebem um sonoro não.

Faltam alguns meses para a eleição e o governo precisa identificar quem é real e quem é abstrato para que, lá na frente, dependendo do clima, calmaria ou tempestade, seja possível nominar, um a um, os oportunistas.