Crise geral na UFF Campos

Universidade mais antiga da região sofre com contingenciamento de verbas que impossibilita conclusão das obras do novo prédio

Educação
Por Ulli Marques
16 de setembro de 2019 - 0h01

Obras do novo prédio da UFF, em Campos, ainda sem previsão de término

Mesmo após cinco anos de atraso, a data de entrega do novo prédio da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Campos, situado na Avenida XV de Novembro, ainda é uma incógnita. Gravemente afetada pelo contingenciamento de verbas do Ministério da Educação (MEC), a obra da mais antiga universidade pública do município encontra-se em ritmo lento. A esperança é de que uma emenda de bancada da Câmara de Deputados no valor de R$ 50 milhões seja aprovada para agilizar o processo, embora ainda não haja apoio o suficiente por parte dos parlamentares e nem garantias. Enquanto isso, avança o prazo para o encerramento do contrato de aluguel dos contêineres onde ocorrem as aulas, previsto para março de 2020.

O diretor do campus Campos, Roberto Rosendo, acredita que a UFF seja uma forte candidata a receber essa quantia por parte da Câmara Federal, no entanto, para que isso, de fato, ocorra, é necessário conquistar o apoio do maior número possível de deputados. Hoje, dos 46 parlamentares da bancada do Rio de Janeiro, apenas oito anunciaram o comprometimento com a tal emenda que foi proposta por Wladimir Garotinho em maio de 2019.

“Neste momento, os critérios para a distribuição dessa verba estão sendo discutidos pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Uma vez definidos esses critérios, os deputados apresentam as emendas de bancada, e entre elas está essa que beneficia a UFF, e há uma concorrência para definir quais serão contempladas. Quanto mais apoiadores tivermos entre os parlamentares da bancada do Estado do Rio, maior a chance de conquistarmos essa quantia, que pode ser entre R$ 45 e R$ 50 milhões”, explicou o diretor.

A situação torna-se ainda mais grave devido ao corte de verbas anunciado pelo Governo Federal. Para gerir todos os campi da UFF é necessário aproximadamente R$ 16 milhões. Atualmente, a segunda maior universidade do país tem apenas R$ 2 milhões em caixa. No caso do campus da cidade de Campos, além dos gastos gerais relacionados ao pagamento de servidores e manutenção, o agravante é a carência de uma estrutura adequada para a realização das aulas. Isso porque desde que os cursos de bacharelado em Ciências Econômicas e Psicologia, e de bacharelado e licenciatura em Ciências Sociais, Geografia e História foram implantados, essas aulas ocorrem em contêineres alugados com a verba discricionária da universidade, essa que também tem sido alvo de cortes por parte do Governo. Tanto que a empresa que aluga esses módulos já ameaçou retirar as instalações por conta de atrasos nos pagamentos.

A princípio, o último contrato deve ser encerrado no dia 1º de março de 2020 e, depois disso, o diretor ainda não sabe o que poderá ser feito para manter os trabalhos acadêmicos da universidade. Em abril deste ano, o vereador Cláudio Andrade encaminhou um ofício ao Ministro da Educação, Abraham Weintraub, declarando essa urgência para a conclusão das obras, mas não obteve resposta.

UFF Campos — O campus, atualmente situado na Rua José do Patrocínio, foi criado na década de 1960, a princípio somente com o curso de Serviço Social. Por décadas, essa foi a única instituição pública de ensino superior da região.

Hoje, a UFF Campos conta com 3.300 alunos, 150 docentes e 34 técnico-administrativos distribuídos pelos cursos de bacharelado em Ciências Econômicas, Serviço Social e Psicologia, e de bacharelado e licenciatura em Ciências Sociais, Geografia e História.

A construção do novo prédio, em terreno localizado no antigo pátio de manobras da ferrovia, próxima à ponte de ferro, começou em 2012, orçada em R$ 35.563.054.93, mas, até o momento, somente 60% dos serviços foram concluídos.