HÁ 80 ANOS – O maior conflito da humanidade

Em setembro de 1939 começava a II Grande Mundial. Durou quase 6 anos e matou 100 milhões de pessoas

Por Guilherme Belido
Por Guilherme Belido
8 de setembro de 2019 - 9h00
Duas vezes rejeitado na Academia de Artes de Viena – não mais que um pintor fracassado que perambulava pelas ruas da capital austríaca tentando vender cartões postais. Só isso.
Anos mais tarde, chanceler da Alemanha, depois presidente, Chefe Supremo do Exército e, por fim, ‘fuhrer’ (que significa líder) do povo mais disciplinado do mundo.
Foi assim, um pouco ao acaso, por meios transversos e valendo-se das circunstâncias desfavoráveis que na década de 20 assolavam a nação alemã, que Adolf Hitler tornou-se chefe do III Reich e pôs em prática o maior conflito da história da humanidade ao mesmo tempo que tentava exterminar o povo judeu da face da terra.
Trajetória – O ex-cabo que lutou na 1ª Guerra (1914-1918) filiou-se, no início da década de 20, ao Partido Alemão dos Trabalhadores. Logo em seguida tentou um golpe de estado patético, acabou preso e, na prisão, escreveu Mein Kampf (Minha Luta), um amontoado de asneiras que chamou de “manifesto político” em que listava seus ideais baseados em fundamentos mentirosos – mas eficientes – e no antissemitismo.
Posto em liberdade, mostrou-se habilidoso na tarefa de inflamar as massas com um discurso vigoroso, frequentemente anticapitalista, que prometia “libertar a Alemanha” das amarras impostas pelo tratado de rendição da guerra que havia perdido.
Ascensão – Com excelente oratória, Hitler aproveitava-se da forte recessão que imperava no país para aumentar sua popularidade. Havia desemprego, fome e, acima de tudo, desalento e desesperança.
Assim, fortemente estruturado numa propaganda mentirosa, soube manipular a fatia da população mais empobrecida e o Partido Nazista tornou-se o maior do Reichstag – o parlamento alemão.  O ano era 1933 e ele, o ex-cabo austríaco, ascendeu à Chancelaria do Reich.
A partir daí o que se viu foi a escalada de terror, com o nazismo esmagando brutalmente quem sequer pensasse lhe fazer oposição.
Num crescente que desafiava os mais remotos princípios de civilidade, mesmo levando em conta aqueles tempos em que ditaduras eram acolhidas com entusiasmo, uma diversificação de crimes, notadamente de cunho racial, tomou conta da Alemanha, que parecia anestesiada pela oratória frenética do pintor medíocre – o próprio Hitler.
Resumo – Simples assim: Economia em crise, povo passando fome, propaganda eficiente, popularidade e poder. O povo lhe deu o voto; o exército, o poder. E ele fez a guerra.
Depois de anexar a Áustria e parte da Tchecoslováquia, sob o olhar silente, os ouvidos surdos e o olhar omisso de outros chefes de Estado – particularmente o primeiro-ministro inglês – que, medrosos, deixaram o monstro crescer sem nenhuma interferência, em 1º de setembro Hitler invadiu a Polônia e, por força de tratado, dois dias depois França e Inglaterra declararam guerra à Alemanha. Tinha início, ali, a 2ª Guerra Mundial.
À Alemanha, juntaram-se Itália e Japão. Aos aliados, mais adiante, a União Soviética e os Estados Unidos.
A guerra nazista começou a ser perdida quando Londres, já então liderada por outro primeiro-ministro, mesmo bombardeada dia e noite, resistiu junto com os discursos contagiantes de Churchill.
A Alemanha prosseguiu no caminho da derrota ao resolver abrir uma segunda frente de combate contra a União Soviética que não conseguiu seduzir.  Foi derrotada pelo frio e pela obstinação do Exército Vermelho de Stalin.
Em 1945 estava derrotada e os EUA encerraram a guerra com duas bombas sobre o Japão – o que para uma fatia de estudiosos foi uma vingança yankee por Pearl Harbor, correspondendo maior genocídio do conflito.
Tudo isso começou há 80 anos e matou cerca de 100 milhões de pessoas. Em tempos de recrudescimento explícito, vale refletir.
 

FATOS MARCANTES

São inúmeros os episódios de grande importância que marcaram a II Grande Guerra em seus longos seis anos. Aqui se traz – como simples registro-ilustrativo – alguns entre os mais relevantes. 
 
1939 – Invasão da Polônia
Em seu projeto expansionista, a Alemanha nazista já havia anexado a Áustria e ocupado territórios da Tchecoslováquia. Em 1º de setembro de 1939 tropas de infantaria da Wehrmacht (Forças Armadas Alemã) invadiram a Polônia.
O ataque foi formatado na estratégia militar denominada Blitzkrieg, que consiste em incursões rápidas e em diferentes pontos. O frágil exército polonês não resistiu e rapidamente foi derrotado.

1940 – Invasão da França
Num dos episódios mais tristes para a Europa, o exército nazista, que já havia invadido Holanda e Bélgica, em junho de 1940 avançou sobre a França. Não tardaria para Hitler desfilar pelas ruas de Paris, “decorar” a Champs Élysees com bandeiras da suástica e posar para tendo como fundo a Torre Eiffel.

1941 – Entrada dos EUA
Definido pelo presidente americano Roosevelt como “o dia da infâmia”, pela forma como os japoneses atacaram a base de Pearl Harbor – pegos de surpresa, quando muitos marinheiros ainda dormiam –, o episódio definiu a entrada nos EUA na guerra.
1942-43 – Stalingrado
Invadida pela Alemanha desde 1941, a União Soviética aprofundou a contra-ofensiva no ano seguinte, quando o gigantesco exército Vermelho de Stalin travou contra a Wehrmacht de Hitler a sangrenta Batalha de Stalingrado, que chegou ao fim em 1943. Stalingrado marcou o início da derrocada da Alemanha nazista.
1944 – Normandia, o Dia D
Num episódio repleto de estratégias, táticas e códigos (a Alemanha sabia da ofensiva, mas não sabia onde seria) os Aliados desembarcaram na Normandia e iniciaram ofensiva para retomar os territórios ocupados da Europa. O Dia D foi o primeiro passo para libertação da França.
1945 – Bombas e o fim

Com Hitler oficialmente morto e a rendição da Alemanha formalizada em 7 de maio de 1945, o Japão seguiu na guerra. Em agosto, as bombas lançadas pelos EUA sobre Hiroshima e Nagasaki poriam um ponto final no conflito, que formalmente seria encerrado dias após.