Jornalismo verdade ou fake?

Parcela considerável da população recebe lixos informativos gerados por pessoas inescrupulosas

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Por Cláudio Andrade
24 de junho de 2019 - 12h00

Fake news concept and hoax journalistic reporting as a person with a long liar nose shaped as text as false media reporting metaphor and fraudulent deceptive disinformation with 3D illustration elements.

A moda é informar e transformar os fatos da forma que convier. Verdade? Bem, mais ou menos. O dever de relatar um fato da forma mais correta e verdadeira não é algo simples, pois entre a notícia averiguada e a sua publicação se encontra um lamaçal de açodamento e, nele, uma penca de irresponsáveis loucos pelo vício da “primeira mão”.

Não restam dúvidas de que informar em primeira mão algo de relevância causa uma ação de serotonina sem precedentes, contudo, e as responsabilidades que podem vir a surgir desse ímpeto de atirar e depois checar?

No mundo das mídias sociais essa precaução com o que se divulga não vem sendo feito de forma correta por muitos. Alguns sites embarcaram na mesma situação, ou seja, assume-se o risco de responder futuramente por danos morais, mas não se deixa de noticiar.

Quantas vezes o sangue não é sinal de homicídio, o carro virado não é prova cabal de um acidente e um corpo estendido na rua não é constatação de atropelamento?

Atualmente, com o crescimento avassalador de novos personagens nas redes sociais, fruto de nossa amada democracia, as notícias nem sempre estão sendo postas à mesa da melhor forma.

Parcela considerável da população recebe lixos informativos gerados por pessoas inescrupulosas e sem qualquer comprometimento com o que se prepõe a fazer.

O resultado dessa irresponsabilidade é um punhado de pessoas enganadas que sem a malícia de checar, difundem o que leem, numa reação em cadeia deplorável, maléfica e causadora de danos irreparáveis.

Dizem por aí que jornalismo é tirar a venda dos olhos de quem não conhece a verdade. Pois é, essa verdade não pode ser modificada para satisfazer o ego de quem escreve e sonha com aquilo que está publicando ou com o intuito de mexer de forma vil com massas populares.

O verdadeiro jornalismo dá trabalho, pois, às vezes fere, incomoda, causa ódio, ameaças, desconfortos, mas entra como antibiótico nas vísceras dos incomodados, servindo como seta certeira no alvo.

No jornalismo, não há fibrose. O atingido pela calúnia ou injúria não se recompõe. As feridas abertas pela notícia mentirosa e danosa são de difícil cicatrização e quando se consegue na Justiça uma retratação ela nunca conseguirá refazer o cetim rasgado pela falsa informação.

Precisamos manter a informação como ponto crucial para a formação de pensamento e repudiar quem usa os meios de comunicação de forma covarde e irresponsável visando apenas destruir terceiros pelo simples desejo de fazer o mal.