Usuários reclamam de Uber e 99 em Campos

Promessas de atendimento diferenciado e preços acessíveis são discutíveis

Campos
Por Redação
6 de junho de 2019 - 15h15

Desde os últimos anos, os aplicativos de transporte de passageiros atuam no país. Tudo começou com o Uber, que iniciou os trabalhos no estado de São Paulo. Em seguida, vieram o 99 e outros tantos. Em Campos, embora haja reclamações, aparentemente os aplicativos de transporte chegaram para ficar. Enquanto estes prometem preços mais em conta e atendimento diferenciado, os táxis tradicionais amargam a diminuição na procura por parte dos passageiros, o que já tem consequências: as tarifas dos táxis tradicionais, por exemplo, estão há anos sem reajuste.

O taxista Sidcley Soares lamenta a falta de reajuste e cita dificuldades. “O movimento está muito fraco. Existe um limite de táxi na cidade, mas não existe limite de motoristas de transporte por aplicativo. Sem contar que eles não pagam tantas taxas como nós. O que gera uma concorrência desleal. Nossa tarifa já não sobe há mais de quatro anos. Nossa bandeirada é R$ 5.07.

Sobre o quesito ‘segurança’, este tem sido alvo de críticas dos usuários do transporte por aplicativo. “Uso esse serviço diariamente e percebi um aumento considerável no preço, se comparado há uns meses, mas a qualidade caiu muito. Muitos veículos estão velhos, sujos, motoristas com roupas inadequadas. Além disso, eu antes confiava mais porque a propaganda do Uber, por exemplo, reforçava que os motoristas preenchiam uma ficha gigantesca de requisitos antes de começar a trabalhar, mas a gente vê na mídia que isso não é verdade aqui em Campos. Dois motoristas do Uber já foram presos, vi que o escritório aqui também foi fechado”, lamentou a administradora Lara dos Santos.

Ainda segundo ela, há outro problema que pode ser ainda mais grave. “Acho que estão invadindo o sistema dos aplicativos seguros através de algum sistema pirata. A gente chama um carro e vem outro com outro motorista. Uma vez entrei em um carro com um aspecto muito estranho e cheiro de drogas. Fui até meu trajeto com muito medo, porque fiquei sem saber o que fazer”, completou.

Outra usuária que também tem reclamado do transporte é a comunicadora Roberta da Silva. Por causa da insatisfação, ela parou de usar os serviços. “Sempre usei o serviço, mas recentemente desinstalei todos. Comecei a perceber que não tinha muita vantagem. Antigamente, dava uma diferença maior nos valores. A diferença no valor é muito pouca e acho o táxi tradicional mais seguro. Além do mais, se houver algum problema, você está respaldado. Sem contar que eu ando com criança, então prefiro andar com segurança”, explicou.

Quem trabalha no aplicativo já tem percebido uma diminuição na procura, mas para o motorista Rogério Pessanha, um possível motivo é o aumento do número de profissionais atuando no ramo. “Trabalho como motorista do Uber e 99 há dois anos e percebo que é possível tirar o sustento familiar, mas é notório que a procura diminuiu bastante em relação à explosão inicial devido ao aumento de motorista circulando na cidade”, contou.

Se por um lado, há quem perceba a diminuição e alguns clientes citam reclamações, por outro a motorista Kamila Oliveira Barreto exalta as qualidades. “O cliente tem várias vantagens, incluindo custo benefício (preços acessíveis) e o tratamento dado aos passageiros.

Nota

A Uber informou que o motorista preso com arma e acusado pela polícia de cometer roubos, no início de maio, já havia sido banido desde março da plataforma. Embora a polícia afirme que ele já tenha outras passagens e ainda assim ainda trabalhava como Uber, a empresa afirmou que: “Ao se cadastrarem, todos os motoristas parceiros passam por uma checagem de antecedentes criminais realizada por empresa especializada que, a partir dos documentos fornecidos para cadastramento como motorista parceiro, consulta informações de diversos bancos de dados oficiais e públicos de todo o País em busca de apontamentos de crimes que possam ter sido cometidos”. A empresa garantiu ainda que também realiza novas checagens periódicas dos motoristas já aprovados pelo menos uma vez a cada 12 meses.

Até o fechamento desta reportagem, a 99 não respondeu aos questionamentos.