Aquecimento no Açu beneficia Campos

Pronto para receber maior parque termelétrico da América Latina, Porto tem investimentos e emprega principalmente mão de obra local

Região
Por Marcos Curvello
2 de junho de 2019 - 0h01

Complexo do Porto do Açu tem previsão de R$ 8 bilhões para os próximos cinco anos (Foto: Divulgação)

Com investimentos de pelo menos R$ 8 bilhões previstos para os próximos 5 anos, o Complexo do Porto do Açu persiste como a principal aposta econômica do interior do Rio de Janeiro. Localizado no quinto distrito de São João da Barra, o empreendimento foi objeto de discussão durante o primeiro Seminário de Desenvolvimento Regional Norte e Noroeste Fluminense e no RioAgro Coop, eventos acontecidos em Campos, nos últimos dias 22 e 23, com as presenças de autoridades regionais, estaduais e federais, e deve voltar a gerar empregos. Pronto para receber um terminal da Gás Natural Açu (GNA), vai abrigar o maior parque termelétrico da América Latina e deve abrir mais de 13 mil vagas de trabalho direto e indireto no processo.

O parque será composto por um terminal de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL) e duas termelétricas, contratadas em um leilão de energia realizado em 2014. Juntas, elas deverão gerar 3 GW de energia — o suficiente para abastecer 14 milhões de residências. O início da operação está previsto para 2021.

Em uma segunda fase, a partir de 2023, a previsão é de que sejam injetados mais R$ 8,5 bilhões na instalação de
outras duas termelétricas e um novo terminal portuário. O ministério da Infraestrutura prevê que o investimento
deve resultar em 4 mil empregos diretos e 9,5 mil indiretos. Número que o ministro Tarcísio Gomes de Freitas tratou
como “extremamente relevante” na ocasião da assinatura do contrato para implantação do parque termelétrico, em fevereiro.

Também estão nos planos do Porto do Açu a construção de instalações de processamento de gás e gasodutos, de forma a colocar o empreendimento na rota de escoamento de gás das bacias de Santos e Campos, o que abre caminho para uso futuro do gás produzido no pré-sal.

Salários pagos a funcionários do Porto circulam no comércio local e ajudam a aquecer a economia da região (Foto: Divulgação)

Mão de obra e mercado local
O Complexo emprega mais de 6 mil trabalhadores, 80% dos quais são moradores de São João da Barra e Campos.
De acordo com o economista Ranulfo Vidigal, qualquer aumento na empregabilidade beneficia diretamente estes
municípios.

“As empresas mais dinâmicas praticam uma estratégia de contratação semelhante: importam a alta gerência e captam no mercado local a média burocracia e o pessoal de base. No caso do Porto do Açu, cerca de 30% da mão de obra vem de São João da Barra, 50%, de Campos, e os 20% restantes, de fora. Todos eles, porém, acabam gastando na região e fazem a economia girar”, explica.

Campos, porém, acaba recebendo a maior parte desse dinheiro, diz o economista. “Os salários de base na economia
campista são de cerca de R$ 2 mil, o médio, de R$ 5 mil, e o de ponta, de mais de R$ 10 mil. A maior proporção dessa massa de salário fica no município, porque é o que possui melhor infraestrutura e maior oferta de produtos e serviços”, avalia Ranulfo.

Contrato com a Petrobras
Com 130 km² de área, o Complexo do Porto do Açu conta, hoje, com 13 empresas instaladas: Porto do Açu Operações; Açu Petróleo; BP Prumo; Edison Chouest; InterMoor; National Oilwell Varco (NOV); TechnipFMC; Wärtsilä; Ferroport; Anglo American; Dome e Estação Açu, além da GNA.

Entre os últimos dias 24 e 25, o Terminal de Petróleo (T-Oil) do Porto do Açu sediou a primeira operação de transbordo da Petrobras fora de seus terminais próprios, localizados em Angra dos Reis (RJ) e São Sebastião
(SP). Foi utilizado um navio classe Suezmax, com a atracação das embarcações Henrique Dias (exportador) e Brasil 2014 (aliviador).

O contrato com a Petrobras, firmado pela Açu Petróleo, prevê a realização de até 48 operações, envolvendo, além
de Suezmax, navios tipo Very Large Crude Carrier (VLCC), que são os maiores petroleiros do mundo. O acordo tem duração de 24 meses e pode ser prorrogado por mais dois anos. Além disso, a Petrobras também possui um contrato com a Edison Chouest para a utilização de 6 dos 15 berços da base de apoio offshore que a empresa instalou no local.

Outro contrato foi com norueguesa Equinor, que tem duração de 36 meses (a partir de janeiro de 2020) e prevê escoar principalmente o petróleo produzido no campo de Roncador. Neste ano, a Açu Petróleo prevê movimentar o dobro de 2018, quando registrou aproximadamente 40 milhões de barris no ano.