Royalties ou assistencialismo em Campos

O município de Campos dos Goytacazes é a prova viva do péssimo uso dos royalties.

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Por Cláudio Andrade
16 de abril de 2019 - 9h53

Alguns políticos estão posando de bom moço e dizendo nas redes sociais que estão defendendo a manutenção do “ouro negro” por ser ele indispensável para a sobrevivência dos municípios. O próprio governador do Rio de Janeiro afirmou que sem os royalties o estado quebra.

 

O problema não está nos lobos em pele de cordeiro que de um dia para o outro passaram a defender, em Brasília, os royalties. O ponto central do debate é que nenhum prefeito, até hoje, fez o dever de casa, ou seja, criou um fundo financeiro protetivo para quando os repasses dos royalties acabarem, ou serem redistribuídos, seus respectivos municípios não fossem destruídos.

 

Pior é constatar que muitos desses parlamentares, que foram eleitos para o parlamento federal, já tiveram familiares nos cargos de prefeitos e governadores e sempre se valeram dos royalties para projetos individuais de poder, deixando a população mais carente, aprisionada, sem emprego, sem educação ou saúde de qualidade.

 

É certo que alguns municípios não possuem estrutura para se manterem sem os royalties, porém, foram emancipados de seus municípios-mãe para atenderem a políticos interessados em serem prefeitos de localidades com IDH (Índice de desenvolvimento Humano) precário, beirando à miséria.

 

O município de Campos dos Goytacazes é a prova viva do péssimo uso dos royalties. Até 2016, por exemplo, foram milhões de dinheiro jogados no ralo. A população foi deixada sem emprego, sem casa, sem segurança, sem comida, mas iludida de que tudo aquilo era passageiro e iria passar com o tempo.

 

A gastança errada dos royalties era tão grande que até ônibus eram fretados para que pessoas saíssem do interior e fossem à capital aplaudir discursos messiânicos de falsos profetas, muitos deles presos ou pendurados em liminares para não terem que iniciar seus respectivos cumprimentos de pena.

 

O maior problema disso tudo é que muitos que se dizem preocupados com o repasse dos royalties para os municípios, fazem isso pensando nas eleições de 2020, pois se forem candidatos a prefeito e se elegerem, sabem que não conseguirão gerir a máquina pública sem o ouro negro.

 

Para a oposição, o discurso hoje é fácil. Mas até eles, que estão de olhos nas prefeituras em 2020, sabem que ser candidato a prefeito, no próximo ano é uma faca de dois gumes.

 

Por fim, quando você, caro leitor, observar um Deputado Federal lutando pela manutenção dos royalties para seu município, veja o histórico dele e de sua família. Será que quando essas famílias estiveram no poder, tiveram zelo pelo dinheiro público, ou administraram a cidade como se estivessem em uma mesa de pôquer? Verdadeiros prefeitos de BLEFE.