A prevenção contra o câncer é destaque em campanha permanente

Especialista do OncoBeda fornece informações sobre a doença que é a segunda causa de morte no país

Saúde
Por Letícia Nunes
15 de abril de 2019 - 9h48

Médica oncolologista Elizabeth Uhl atua em campanhas de prevenção (Foto: Carlos Grevi)

“Levante! Cuide-se! Faça a sua parte!”. Essas são as palavras de alerta quando o assunto é o câncer. Trata-se da segunda causa de morte no Brasil por doenças, perdendo apenas para os problemas cerebrovasculares, como o Acidente Vascular Cerebral (AVC), que ocupam o primeiro lugar. A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) é de 600 mil novos casos da doença para o biênio 2018/2019, isto significa aproximadamente um milhão e duzentos mil registros possíveis para este período. A doença que assusta tem cura com o diagnóstico precoce. Porém, antes de tratar, é possível prevenir o câncer.

Segundo a oncologista, Dra. Elizabeth Uhl, é preciso trabalhar com os aspectos relacionados à prevenção, seja pelo lado do paciente, pelo poder público e principalmente pelo profissional médico que recebe essas pessoas para o atendimento.

“A maior parte dos casos dos tumores chega em estágio mais avançado. Isso é uma realidade comum a todo o país e os dados do Inca mostram claramente. Estão previstos 120 mil novos casos de câncer de mama para o biênio, ou seja, 60 mil para 2018 e o mesmo número para este ano de 2019. É muita coisa! Então, a única forma da gente poder contribuir de uma maneira mais eficaz é estimulando e implementando ações de prevenção e controle do câncer. O Dia Mundial de Combate à doença, lembrado em 8 de abril, é fundamental para alertar toda a sociedade. Devemos pensar que precisamos intervir e estudos já mostram que em breve o câncer vai passar a ser a primeira causa de morte deixando as doenças cerebrovasculares para trás, logo, é preciso fazer alguma coisa. Nós, profissionais da área de saúde, devemos ter esse princípio”, alerta.

A especialista ainda revela que ao contrário do que muitas pessoas pensam somente 10% dos cânceres estão ligados à genética. Os outros 90% dos tumores são causados por fatores de risco, que podem ser evitados pela população.

“Mas pode haver um questionamento no sentido de por que o médico pergunta ao paciente se existem casos de câncer na família, se 90% dos tumores são causados por outras condições. É o dever do profissional orientar. O que temos que nos atentar é que depois do câncer de pele, que é o mais incidente em pessoas de todos os gêneros no país inteiro, excetuando o do tipo melanoma, que é mais raro e grave, o tumor que mais atinge os homens é o de próstata, com previsão de 68 mil novos casos, seguido do câncer de pulmão. Nas mulheres, o câncer de mama é o mais prevalente e o que mais mata também. Na sequência, elas são mais atingidas pelo câncer de intestino e de colo uterino. É importante que as pessoas se choquem com esses dados, porque eles fazem parte da realidade. Nós precisamos focar nos fatores de risco e nos prevenir. Está em nossas mãos. Nós somos a questão ativa nesse contexto”, ressalta.

A oncologista detalha quais são os fatores de risco que influenciam na detecção de um tumor maligno.

“O sedentarismo leva a obesidade e esta doença está diretamente relacionada a vários de tipos de cânceres, sobretudo, aos tumores de mama, de colo uterino e de endométrio. Se você combate a obesidade, automaticamente diminuem as doenças cardiovasculares. Uma coisa está ligada a outra. Outro fator de risco é o tabagismo. Existem diversos tipos de tumores que são causados pelo cigarro, principalmente, o câncer de pulmão, que mata hoje no Brasil cerca de 26 mil pessoas anualmente. Além disso, o tabagismo influencia no surgimento do câncer de boca, câncer de esôfago, bexiga, pâncreas, câncer de mama, entre outros. As infecções também são agentes propícios ao surgimento de tumores, assim como a bebida alcoólica e as radiações ionizantes, que causam câncer de pele. A exposição a reposição hormonal de forma desordenada, sem uma orientação e uma indicação é complementa arbitrária. É necessário pesar se isso é realmente necessário dependendo do paciente”, explica.

Prevenir é melhor do que tratar

A médica afirma que a principal forma de prevenção é a mudança do estilo de vida. A prática de atividades físicas e a adoção de uma rotina alimentar saudável ajudam bastante a prevenir o surgimento de um câncer.

“Não adianta praticar atividade física e continuar comendo alimentos processados e com conservantes. O hábito saudável reduz as chances de detecção de câncer de intestino e estômago que têm aumentado cada vez mais na população. A vacinação também é fundamental par a prevenção de tumores. Posso destacar a imunização contra o HPV e a hepatite b, por exemplo. A amamentação ajuda a prevenir o câncer de mama. O exame preventivo é fundamental no caso dos tumores ginecológicos. A mamografia também. O câncer é um grave problema de saúde pública. A informação é fundamental, porque o medo paralisa as pessoas. Falar de prevenção é essencial para um serviço de oncologia, porque nada disso vai mudar se a gente não pensar dessa forma. As pessoas precisam se cuidar. A sociedade, os profissionais da área de saúde e o poder público devem levar com mais seriedade a questão e iniciar ações de prevenção e controle do câncer. Essa é a única forma haver uma mudança”, finaliza.