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Área central de Campos cada vez mais eletrizante

Fiações expostas e gambiarras em diversos pontos colocam em risco a população

Campos
Por Ocinei Trindade
14 de março de 2019 - 14h37

Área central  tomada por fios elétricos, alguns improvisados (Fotos: Silvana Rust)

Uma volta a pé por algumas ruas do Centro de Campos contam com determinados obstáculos no caminho, além de um iminente perigo. A fiação elétrica exposta, emaranhados de cabos, além de muitas gambiarras, chamam à atenção os pedestres mais atentos.  É preciso tomar bastante cuidado onde pisa e onde se esbarra a cabeça, pois há fios arriados em diversos pontos como o Boulevard Francisco de Paula Carneiro ou Calçadão. Especialistas advertem para os riscos de incidentes. A Prefeitura de Campos afirma que tem adotado medidas para enfrentar o vandalismo e o mau uso do espaço público. Porém, os problemas permanecem.

Durante um passeio pela área central onde transitam milhares de pessoas todos os dias, a fotógrafa Silvana Rust identificou fios improvisados em postes de luz depredados. Em um deles, em frente à agência da Caixa Econômica Federal, no Calçadão, o fio amarrado do modo improvisado denuncia a gambiarra. Logo ao lado, um fio que aparenta ser de energia elétrica, é amarrado em folhagens de uma planta mantida em vaso de jardim, também de maneira inadequada. Neste e em outros locais da via exclusiva para pedestres, é possível encostar a cabeça ou tocar com as mãos. “É vergonhoso o estado que está o Boulevard. Qualquer pessoa pode se ferir com tantos fios facilmente tocados. É preciso fiscalização e solução”, considera o arquiteto Fabrício Escáfura que identificou um dos locais afetado.

Em outro trecho, é possível verificar fios de eletricidade expostos no chão e no entorno de postes da Praça São Salvador. Além de depredação de bancos e luminárias, algumas lâmpadas que ficavam nos canteiros das árvores e em determinados pontos da praça já não funcionam e estão com fiação visível. A Secretaria de Infraestrutura e Mobilidade Urbana reconhece que o município sofre com ações de vandalismo, furto de cabos de energia, grades de canaletas e tampas de bueiros, entre outros, causando prejuízos. Em nota, informou que qualquer sinal de vandalismo ou depredação do patrimônio histórico, a população pode acionar a Guarda Civil Municipal através do telefone 153. Em relação à fiação baixa, assim que for identificada a concessionária ou empresa de televisão e telefonia responsável pelos fios em questão, providências serão tomadas. A prefeitura não informou em quanto tempo verificaria e quando resolveria o problema nesses locais.

Riscos

Especialistas apontam riscos com emaranhados de fios

O engenheiro-eletricista Ricardo Bastos defende o uso de fiação elétrica subterrânea, principalmente em áreas históricas. Com 45 anos de experiência profissional, ele lembra o projeto iniciado na gestão de Rosinha Garotinho enquanto prefeita, em recuperar e restaurar o Centro Histórico. A instalação de fiação subterrânea acabou não sendo concluída no governo passado. A revitalização orçada em R$ 65,4 milhões começou em junho de 2012 e deveria ser concluída três anos. Constavam do projeto estavam a reforma do sistema de drenagem, pavimentação e conversão das redes concessionárias de iluminação e telefonia, além de melhorias nas condições do asfalto, das galerias pluviais e da rede esgoto. Para Ricardo, o projeto precisa ser concluído.

“Apenas parte do projeto foi executada, falta concluir o restante, como a substituição da fiação área pela subterrânea. A fiação suspensa oferece muitos mais riscos quanto à segurança, pois está sujeita à intempéries, quedas, rupturas e curtos, o que pode atingir pessoas que circulam nessas áreas. A rede subterrânea é muito mais segura, além de melhorar a estética do Centro Histórico. Isto já foi realizado em Macaé e em Petrópolis em trechos centrais. Em Campos, já se investiu muito dinheiro público no projeto de revitalização que não deve ser abandonado pelo governo”.

Incertezas

Gambiarras no Calçadão de Campos, em frente ao prédio da Caixa Econômica Federal

De acordo com reportagem publicada em abril de 2017 pelo Terceira Via, em dezembro de 2016, a Enel Distribuição Rio (antiga Ampla) emitiu nota informando que “a Prefeitura de Campos executou a obra civil e eletromecânica de fiação subterrânea do Centro Histórico sem que o projeto fosse previamente aprovado pela distribuidora de energia, o que é essencial em casos de obras que afetem a rede elétrica”. Por este motivo, “uma vistoria técnica feita pela companhia detectou diversas inconformidades na execução do serviço, que deveriam ser reparadas pela empresa responsável pela obra a fim de se adequar às normas técnicas e de segurança estabelecidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)”. Ainda na nota, a Enel afirmou que “a rede aérea só poderá ser retirada quando os reparos forem feitos pelo município”.

No último dia 20 de fevereiro, a Secretaria de Infraestrutura e Mobilidade Urbana informou que a obra do Centro Histórico de Campos foi paralisada no final da gestão passada. O governo atual fez um levantamento das necessidades para a conclusão da obra, que inclui principalmente a conversão das redes aérea para subterrânea. A nota oficial diz tratar-se de  “um trabalho de grande complexidade que envolve várias concessionárias e um alto custo, inviável para o município neste momento, em virtude da brusca queda de receita.  Vale ressaltar que o município vive uma realidade financeira diferente da que viveu no início desta obra, e lamenta que a mesma não tenha sido concluída dentro do prazo contratual”.