Universidades iniciam o período letivo em Campos

Na aula inaugural da Uenf foi defendida a valorização das universidades públicas

Educação
Por ASCOM
12 de março de 2019 - 17h13

Professor Carlos fez a aula inaugural na Uenf (Reprodução)

Ao abrir na segunda-feira (11) a aula magna de 2019 da UENF, o professor Carlos Eduardo de Rezende defendeu a valorização das universidades públicas, que, segundo ele, vêm sofrendo investidas contrárias, sendo a pior delas a descontinuidade dos financiamentos públicos. Professor titular do Laboratório de Ciências Ambientais da UENF (LCA), Rezende ministrou a palestra intitulada “A Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro: uma instituição fundamental para a transformação social”, no Centro de Convenções Oscar Niemeyer,  com a presença de alunos e professores da Universidade.

“Devemos repensar a lógica dos profissionais que temos formado dentro das universidades públicas. Defender as instituições públicas é um dever de todos eles”, disse o professor, que atua na UENF desde a sua implantação, em 1993.

Dirigindo-se aos que estão entrando na Universidade agora, ele lembrou que a UENF foi criada em 1989  por um dispositivo constitucional, a partir de uma mobilização da sociedade de Campos. Em um primeiro momento, estava prevista a união de todas as faculdades já existentes no município, mas com a troca de governo — saiu Moreira Franco e entrou Leonel Brizola — tudo mudou. “Nasceu um novo modelo de universidade”, disse.

A lei estabelecia que o funcionamento da UENF deveria ocorrer em três anos. Ainda sem uma área física, a Universidade pôde cumprir esse prazo graças ao apoio da Fundenor. Segundo Rezende, muitos professores que estão até hoje na Universidade, como ele, vieram nessa época para ministrar cursos na Fundenor. “A UENF nascia então sem terreno nem nada, graças à parceria com a Fundenor”, disse. A primeira aula da UENF, no atual campus, ocorreu em 16 de agosto de 1993.

Rezende destacou o caráter inovador da UENF, afirmando que a exigência de um corpo docente com 100% de doutores foi “um divisor de águas” — depois da implantação da UENF, outras universidades passaram a fazer a mesma exigência. Outras inovações foram a dedicação exclusiva para os docentes, o início conjunto da graduação e da pós-graduação e a criação do primeiro curso de Engenharia de Petróleo do Brasil. “Quando nossos alunos começaram a ser empregados em multinacionais, outras universidades também resolveram ofertar esse curso”, disse.

O professor ressaltou que, na sua fundação, a UENF era bastante atrativa, pois oferecia bons salários e apoio à pesquisa. No entanto, aos poucos isso foi mudando, com a consequente transferência de muitos pesquisadores para outras universidades. “Estar no interior é um grande desafio, mas fundamental para o desenvolvimento regional. O papel do Estado é decisivo”, afirmou Rezende, que também abordou na aula magna as suas pesquisas na área ambiental.

Com formação em Biologia Marinha e Geoquímica, Carlos Eduardo de Rezende atua no LCA desde sua implementação, em 1993, nas áreas de Ecologia Aplicada, Manejo e Conservação Ambiental de Recursos Naturais, Oceanografia Química e Geoquímica e Biogeoquímica de Ecossistemas Aquáticos. Atuou na UENF como chefe do LCA, diretor do Centro de Biociências e Biotecnologia (CBB), vice-reitor e pró-reitor de Graduação. É pesquisador Cientista do Nosso Estado (Faperj) e de Produtividade Científica (CNPq) e participa do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (Transferências de Material na Interface Continente – Oceano) do Conselho Nacional de Pesquisa e Tecnologia.