Morre o maquinista resgatado após mais de sete horas preso às ferragens dos trens no Rio

Até as 15h15, os bombeiros seguiam por mais de 35 minutos se revezando com procedimentos de reanimação

Estado do RJ
Por ASCOM
27 de fevereiro de 2019 - 15h24

(Foto: O Globo)

Após mais de sete horas de um resgate dramático, morreu o maquinista retirado das ferragens de um dos dois trens que bateram às 6h55 desta quarta-feira (27), em São Cristóvão, Zona Norte do Rio. Os bombeiros tentaram procedimentos de reanimação por quase 40 minutos, mas o condutor Rodrigo Assunção não resistiu, segundo informações da corporação.

Rodrigo foi retirado por volta das 14h30 em uma maca, desacordado. Ainda na estação de trem, os bombeiros se revezaram por mais de 30 minutos com com massagens cardíacas e o uso de um desfibrilador. Mais de 20 homens participaram da operação.

Um helicóptero da corporação chegou a pousar na rua ao lado da Quinta da Boa Vista, que foi interditada. A aeronave, no entanto, deixou o local sem levar o maquinista.

Enquanto estava preso nas ferragens, ele foi mantido vivo respirando com auxílio de um balão de oxigênio e com transfusão de sangue e aplicação de soro. Ele estava lúcido e conversou com bombeiros.

Ao menos 12 agentes trabalharam na operação. Alguns usaram maçaricos e outras ferramentas para tentar liberar espaço retirando peças das ferragens. Os outros, com mangueiras, resfriavam o trem e evitaram um possível incêndio.

Além do maquinista, outras oito pessoas ficaram feridas no acidente. Sete delas foram levados para o Hospital Souza Aguiar e já receberam alta, e um foi para o Salgado Filho, no Méier, onde segue internado, com quadro estável.

O encanador Sandro Ricardo Moreira, morador de Duque de Caxias, estava indo para Cascadura e teve uma luxação no joelho esquerdo durante a colisão do trem. Sandro contou que a composição ficou parada por dez minutos antes do impacto.

O acidente
A colisão aconteceu entre um trem do ramal de Deodoro, que vinha da Central, e uma composição ainda não identificada que também saiu da Central. Um dos trens estava parado quando o outro bateu. O choque foi tão violento que a locomotiva de um dos trens se soltou do chassi e ficou esmagada.

Em nota, a concessionária informou que uma sindicância foi instaurada para apurar as causas do choque. A Agetransp (Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários e Metroviários e de Rodovias do Estado do Rio de Janeiro) informou, em nota, que está investigando as circunstâncias do acidente.

“Equipes técnicas foram enviadas à estação para fazer o levantando do local do acidente. Além das causas da colisão, também serão objeto de análise pela agência reguladora a adequação do atendimento prestado aos usuários pela concessionária SuperVia e dos procedimentos adotados para o restabelecimento da normalidade na operação comercial dos trens. A concessionária poderá ser multada”, diz a nota.

 

Fonte: G1