Flores em todas as estações: calendário retrata mulheres que lutam contra o câncer e é sucesso de vendas

A ideia foi da fotógrafa Paula Manhães que a executou em parceria com o Grupo Recomeço do Oncobeda

Geral
Por Ulli Marques
12 de fevereiro de 2019 - 14h56

Símbolos de força e resistência, 12 mulheres campistas que lutam ou já lutaram contra o câncer de mama estamparam as páginas do calendário 2019 “Tudo são flores”. A proposta, idealizada pela fotógrafa Paula Manhães e promovida pela equipe do Oncobeda com o intuito de conscientizar a população sobre a doença e resgatar a autoestima dessas pacientes, foi um sucesso: os calendários já estão esgotados e toda a verba adquirida na comercialização do produto será revertida para o Instituto de Prevenção e Combate as Doenças Oncológicas do Norte Fluminense.

Cada uma dessas 12 mulheres representou um mês do ano. Algumas já terminaram o tratamento e estão em acompanhamento médico e outras ainda seguem nessa luta pela vida. A ideia de fotografá-las surgiu da vontade de fazer algo pelo outro, segundo conta a fotógrafa. “Sempre tive vontade de fazer um trabalho voluntário e não sabia como ajudar com a fotografia. Então comecei a pesquisar e tive a ideia de fazer o calendário com pacientes oncológicas. O nome ‘Tudo são flores’ veio da maneira como essas mulheres encaram os percalços da vida. Muitas vezes lamentamos que ‘nem tudo são flores’, mas, para elas, a vida, independente de como se apresenta, é florida”, explicou Paula.

O ensaio fotográfico, realizado pela Paula e por outros dois fotógrafos convidados, aconteceu entre os meses de agosto e novembro e ela conta que foi uma das experiências mais marcantes de sua vida. “Nós criamos um laço, conheci a história de cada uma delas… Além de tudo, ficou em mim também o exemplo. Elas me mostraram que devemos estar dispostos, com o coração aberto, e enfrentarmos as adversidades com perseverança. Foi incrível”, conta.

Sônia Barreto, de 57 anos, faz aniversário em novembro e foi este o mês que escolheu representar no calendário. Ela conta que participar desse projeto foi, ao mesmo tempo, divertido e emocionante. “Tudo aquilo que mexe com o ego da gente é bom, não é? Ainda mais nesse momento, precisamos de ações e pessoas que nos colocam para cima”, disse ela que, desde 2015 enfrenta a doença e que “encara da melhor forma possível”.

A paciente precisou retirar as duas mamas e, após ter colocado próteses de silicone com a ajuda de familiares e amigos, descobriu que o câncer havia deixado resíduos e uma dessas próteses precisou ser removida. Ainda assim, Sônia não se deixa abalar. Ela afirmou que aprendeu a ser resiliente com a própria mãe, que também enfrentou a doença com a cabeça erguida. “Mamãe não reclamava e eu também não reclamo. Quero é viver intensamente esta vida, sempre próxima daqueles que eu amo”, declarou.

Quanto ao calendário, Sônia conseguiu vender mais de 40 exemplares. “Eu adorei. Ficou lindo. Paula me tratou como se fosse minha filha, com muito carinho e atenção. Não poderia ter sido uma experiência melhor e o resultado tão gratificante. Por isso fiz questão de vender muitos. Minha família inteira comprou”.

Ludmila Lang, psicóloga especializada em oncologia e integrante do grupo Recomeço, do Oncobeda, frisou a importância de momentos como esse para a autoestima dessas mulheres. “Todas ficaram orgulhosas de fazerem parte desse projeto, sentiram-se bonitas, enxergaram-se a partir de outro olhar. Penso que o psicólogo que atua com esses casos precisa fazer mais para ajudar essas pacientes a superarem a situação e se reinserirem no meio social. Por isso, frequentemente promovemos projetos que surgem dessa iniciativa. Ver o sorriso no rosto dessas pacientes é maravilhoso”, pontuou a psicóloga.

Grupo Recomeço

Além do calendário, outros projetos vêm sendo realizados pela equipe do grupo Recomeço, como desfiles, caminhadas, cafés etc. Prestes a completar oito ano, a iniciativa do Oncobeda apoia mulheres que estão em tratamento oncológico, oferecendo orientações em um ambiente mais agradável para o diálogo e a troca de experiências. Os encontros acontecem semanalmente, às terças-feiras na unidade 2 do Hospital Dr. Beda, e colaboram com a melhora da autoestima dessas mulheres e trazendo benefícios ainda maiores, não só para o processo clínico, mas também aumentando a vontade de viver. O espaço é aberto a todas que queiram participar.

Sobre o projeto, Ludmila conta que, desde a sua implantação, a adesão das mulheres ao tratamento aumentou. “Elas criam um vínculo e fazem amizades com as colegas de grupo e com os profissionais. Além disso, se tornam muito mais confiantes em si com essa ajuda, pois nada se compara à troca de experiência entre elas”, revela.

Câncer de Mama

Esse é o tipo da doença mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois câncer de pele não melanoma, correspondendo a cerca de 25% dos casos novos a cada ano. No Brasil, esse percentual é de 29%.

O câncer de mama pode ser detectado em fases iniciais, em grande parte dos casos, aumentando assim a possibilidade de tratamentos menos agressivos e com taxas de sucesso satisfatórias. A maior parte dos cânceres de mama é descoberta pelas próprias mulheres por meio do toque.

Além disso, o Ministério da Saúde recomenda que a mamografia de rastreamento (exame realizado quando não há sinais nem sintomas suspeitos) seja ofertada para mulheres entre 50 e 69 anos, a cada dois anos.

O tratamento do câncer de mama depende da fase em que a doença se encontra e do tipo do tumor, mas quando a doença é diagnosticada no início, o tratamento tem maior potencial curativo. O câncer de mama também acomete homens, porém é raro, representando apenas 1% do total de casos da doença.