Ano legislativo deve começar agitado

Próximo ao fim do recesso, vereadores trocam farpas por meio das redes sociais e clima pode esquentar no plenário da Câmara

Política
Por Redação
11 de fevereiro de 2019 - 0h01

O recesso legislativo se encerra no dia 19 de fevereiro, quando acontece a primeira sessão da Câmara de Vereadores de Campos. A Casa, que se reunirá daqui pouco mais de uma semana, porém, não será a mesma que encerrou o ano de 2018. A composição não deve sofrer grandes alterações imediatamente. Somente o afastamento do ex- -presidente Marcão Gomes (PR), para assumir a secretaria municipal de Desenvolvimento Humano e Social é dado como certo, embora recursos de seis condenados após a Operação Chequinho tramitem no Supremo Tribunal Federal (STF). Mas, o perfil da nova mesa diretora é muito diferente e pode mudar radicalmente a forma como os trabalhos serão conduzidos. Junta-se a isso polêmicas passadas e feridas ainda abertas e o início do biênio pode ser algo próximo de explosivo.

A nova mesa tomou posse no último dia 2 e estará à frente das discussões na Câmara até o final da atual legislatura, que se encerra em dezembro de 2020. É composta pelos vereadores Fred Machado (PPS) na presidência; Abdu Neme (PR) e Marcelo Perfil (PHS) na primeira e na segunda vice-presidências; José Carlos (PSDC) e Igor Pereira (PSB) como primeiro e segundo secretários, além de Neném e Vanderly Mello como primeiro e segundo suplentes.

Irmão de Carla Machado (PP), prefeita de São João da Barra, e líder do governo Rafael Diniz na Câmara de Vereadores durante o biênio 2017-2018, Fred Machado viu caminho aberto até a presidência da Casa quando Marcão decidiu não se lançar candidato à reeleição para apostar em um voo à Câmara dos Deputados, em Brasília, em 2018. Terminou como suplente e acertou sua ida para o secretariado do prefeito, o que, numa pasta de visibilidade como Desenvolvimento Humano e Social, pode cacifá-lo no futuro para o Executivo.

“Na mão ou na bala”

A presidência da Casa exige um perfil de moderação que possibilite o entendimento entre as diferentes bancadas, por mais diminutas que sejam — como o são, em Campos, as da oposição e dos independentes. Mas, pelo menos dois membros da mesa diretora estiveram diretamente envolvidos em um dos episódios mais polêmicos desta legislatura. O segundo vice-presidente Marcelo Perfil e o presidente Fred Machado foram os principais protagonistas da sessão ordinária em 9 de agosto de 2017, que terminou com confusão generalizada, promessa de confronto físico e até ameaça de morte.

“Se eu sentir que alguém falou mal de mim, eu não vou nem conversar. Aí vai ter problema, vai ser comigo. E se não for na mão, vai na bala”, disse Fred. Na época, ele se desculpou e creditou a fala contundente ao “calor da emoção”.

Em entrevista ao Jornal Terceira Via, publicada no último dia 6 de janeiro, o presidente da Câmara voltou a comentar o episódio: “todos que me conhecem e convivem comigo sabem que não é meu feitio falar como falei”, disse, se voltando a desculpar.

Troca de acusações

As ameaças de Fred aconteceram logo após uma confusão entre Perfil e o então chefe de gabinete da vereadora cassada Linda Mara (PTC). Na tribuna, o vereador o acusou de ter usado uma foto particular de um de seus assessores para atacá-lo. Áquila Dias, que estava na plenária, se levantou e enfrentou verbalmente o agora segundo vice-presidente da Casa. A temperatura subiu, houve bate- -boca, empurra-empurra e pancadaria.

O chefe de gabinete foi exonerado dois dias depois. Em janeiro de 2018, porém, Áquila voltou a ser nomeado para a assessoria de Linda Mara, que acabaria afastada em março por participação em um esquema que trocava inscrições fraudulentas no programa social Cheque Cidadão, da Prefeitura de Campos, por votos na eleição de 2016.

Nova polêmica

Uma acusação feita em uma rede social pelo vereador Jorginho Virgílio (PRP) contra colegas da Casa iniciou uma nova polêmica, que teve desdobramentos no mundo virtual e pode dar o tom das discussões nas primeiras sessões após o recesso.

Sem citar nomes, Virgílio afirmou, em postagem feita em seu perfil pessoal no dia 1º de fevereiro, que “tem vereador em Campos que precisa definir se é político ou empresário… Usar do cargo de vereador pra colocar sua empresa e de amigos e parentes pra ganhar dinheiro público não tá certo”. A acusação foi suficiente para deixar os vereadores que mantém carreira de empresários em polvorosa.

Embora não seja um deles, Joilza Rangel (PSD), que é servidora pública aposentada, se manifestou, no último dia 6, contra a atitude do colega em um aplicativo de mensagens instantâneas. Em uma mensagem de áudio, ela afirmou que Jorginho não teria sido ético e que “se tem nome, ele tem que falar”.

O vereador voltou a usar seu perfil pessoal para responder Joilza, lembrando sua condição de suplente — ela entrou no lugar do vereador afastado Jorge Rangel (PTB), também implicado na Chequinho — e a questionando sobre a possível atuação de seu filho como fornecedor dos governos Rosinha e Rafael Diniz.

Joilza nega as acusações e reafirma sua conduta ética e moral. Mas, a polêmica pode ganhar novos capítulos ao vivo.