Um verão como há muito não se via

Depois de dois anos de temporadas 'frias' nas praias da região, 2019 deu uma virada e as orlas estão ficando lotadas

Campos
Por Ulli Marques
27 de janeiro de 2019 - 0h03

Dizem por aí que depois da tempestade vem a bonança. Os veranistas e, principalmente, os empreendedores que atuam nas praias da região concordam com tal ditado popular. Após um período de crise que afetou não somente os empregadores e empregados, mas também os governos municipais do interior do estado, em 2019 enxerga-se uma luz no fim do túnel. Campos, São João da Barra e São Francisco de Itabapoana, mesmo diante das altas temperaturas, comemoram o frescor que somente a recuperação econômica pode proporcionar.

“Um verão como há muito não se via”, essa é a afirmação que sai da boca daqueles que vivem a estação, seja para faturar, seja para curtir. Funcionários do ramo de hotelaria do Farol de São Thomé foram unânimes: a praia campista é outra. “A procura por hospedagem aumentou aproximadamente 50% em relação ao ano passado”, afirmou a recepcionista de uma das principais pousadas do lugar, Nathália Louise.

Dados da prefeitura de Campos apontam que a rede hoteleira do Farol tem oscilado entre 80% e 100% de ocupação em todos os finais de semana desde o réveillon. Segundo o presidente da Associação de Comerciantes, Hotéis e Similares do Farol (Aschom), Odirlei Carlos Henrique, este é o melhor verão dos últimos quatro anos. Para os comerciantes, a explicação para essa melhora vem da programação esportiva e dos shows nacionais, frutos de parceria entre a Prefeitura de Campos e o Sesc Rio. “A verdade é que sem programação, o Farol é esquecido”, declarou a proprietária de um grande restaurante, Cristina Rodrigues.

Menos jovens, mais famílias
A empresária apontou outro fato a se considerar: o público que frequenta a praia do Farol mudou. Isso, segundo ela, deve-se também à mudança das atrações ali oferecidas. Se antes o lugar era conhecido pelos populares trios elétricos que movimentavam centenas de jovens, hoje o foco é a família. “Para a economia, essa transformação é positiva porque, cá entre nós, a juventude não está interessada em valorizar o comércio local. O público familiar, por sua vez, é aquele que frequenta os restaurantes, que vai à sorveteria e leva as crianças…”, apontou Cristina.

Além das boas vendas, das ocupações dos hotéis e pousadas e dos aluguéis de temporada, outro mercado foi aquecido: o de emprego. Muitos comerciantes afirmam que, em função do movimento, tiveram de abrir frentes de trabalho e as novas contratações variam entre um e cinco funcionários extras por estabelecimento.

Frequentadora da praia do Farol desde a década de 1990, Alessandra Cabral adora a praia de Campos. Ela também percebeu a mudança do público e o proporcional aquecimento na economia e também os enxerga como positivos. “Além de a criminalidade ter diminuído a olhos vistos, a programação de verão está excelente”, disse a professora da rede estadual de ensino.

Orla de Farol de São Thomé (Foto: Silvana Rust)

Mais segurança
Sobre a referida melhoria na segurança, esta deve-se a diversos fatores. Um deles é a instalação de 14 câmeras de monitoramento em pontos estratégicos da praia campista. De acordo com a superintendência de Paz e Defesa Social, somente no réveillon, as tais câmeras registraram a entrada de mais de 150 mil pessoas e 20 mil veículos na localidade. No último final de semana, a praia recebeu cerca de 80 mil veranistas. E, ainda assim, os crimes diminuíram. O patrulhamento na área também contribuiu para esse resultado positivo e a partir desse final de semana, Farol e as demais praias da região devem receber um reforço no efetivo da Polícia Militar, segundo informações cedidas pelo comandante do 8o BPM, tenente-coronel Rodrigo Ibiapina.

Quanto à programação desse verão, o diretor de turismo, Hans Muylaert, apontou que, além dos shows de grandes nomes da música brasileira, as atrações nas arenas também teriam sido responsáveis pela presença em massa do público familiar. “Quando se oferece só os shows, o público assiste e depois vai embora, mas quando se tem uma programação completa para crianças, adultos e idosos, o turista fica”, afirmou.

São João da Barra
No município vizinho, a realidade também é positiva, embora não tão animadora quanto em Campos. Conhecida pela extensa programação de shows em suas três praias — Atafona, Grussaí e Açu — São João da Barra, não vive o seu melhor verão, mas ainda está longe de ser ruim para a economia local. Proprietário de uma das pousadas mais procuradas de Atafona, Nilo Marins aponta que, ainda que haja uma boa ocupação, essa se restringe a uma diária, de sábado para domingo.

“A clientela das pousadas de Atafona não costuma ter relação com os shows. Em geral, as pessoas que se hospedam aqui buscam tranquilidade e conforto. Contudo, esse público aparece em peso somente no sábado e se despede no domingo. O que temos feito para contornar essa situação é oferecer pacotes e até mesmo diminuir o valor das diárias nos dias úteis”, disse Nilo que recebe mais de 80 hóspedes aos finais de semana.

Quando questionado sobre o movimento em seu restaurante, o empresário do ramo gastronômico e chef de cozinha, Lucas Miranda, afirmou: “graças a Deus estou cansado”. Segundo ele, o fluxo de clientes em seu estabelecimento está melhor do que no ano passado e também acredita que a programação de shows não é um fator que influencia na economia local durante o verão. Este ano, Lucas ainda investiu em melhorias na estrutura do restaurante para receber mais clientes e contratou novos funcionários para atender essa demanda crescente.

A equipe de reportagem entrou em contato com a prefeitura de São João da Barra e questionou sobre a recuperação econômica nesse verão, mas não obteve resposta.

São Francisco de Itabapoana
Desde o Réveillon até o último final de semana, o litoral de São Francisco de Itabapoana recebeu 27 shows com uma média de público de 3.500 pessoas em cada um. E a previsão é de que essa movimentação mantenha-se até março.

A Secretaria Municipal de Turismo destaca que entre os shows enumerados, alguns integram a programação de festas religiosas tradicionais, outro atrativo desta época do ano no município. “Sem dúvidas, a circulação financeira maior quando comparada com anos anteriores. 2019 superou as expectativas”, afirmou o órgão.