Polícia já sabe que assassinos de Marielle Franco são servidores da Segurança Pública

Segundo reportagem do Jornal O Dia, criminosos foram contratados na Deep Web

Estado do RJ
Por ASCOM
12 de janeiro de 2019 - 12h28

Vereadora Marielle Franco foi executada em 14 de março (Foto: Reprodução)

A Polícia Civil tem provas de que os assassinos da vereadora do Psol Marielle Franco e do motorista dela, Anderson Pedro Gomes, fazem parte dos quadros da Segurança Pública do Rio. Ocorrido em 14 de março de 2018, o crime teria sido cometido por servidores excluídos da pasta e por pessoal da ativa. Segundo fontes do governo, os criminosos fazem parte do grupo conhecido como ‘Escritório do crime’ e foram contratados via Deep Web, zona da internet onde o usuário tem mais facilidade para manter o anonimato e, assim, cometer crimes. Os investigadores apelidaram esse espaço de ‘Deep Web do crime’.

Os assassinatos completem dez meses na segunda-feira. Policiais ouvidos pelo DIA acreditam que uma solução esteja próxima. A Delegacia de Homicídios (DH) da Barra da Tijuca já colheu dezenas de depoimentos, inclusive de alguns policiais militares que deram detalhes sobre a atuação do grupo envolvido. O principal testemunho foi de um oficial da PM.

Os policiais sabem que havia três homens no carro Cobalt prata clonado usado pelos assassinos no dia do crime: o motorista, um carona e outro homem no banco de trás, que efetuou os disparos contra Marielle e Anderson.

Um dos suspeitos de ser o mandante do duplo homicídio é o vereador Marcello Siciliano (PHS). Ele já prestou depoimento três vezes e, em todas as ocasiões, negou qualquer envolvimento. Apesar disso, continua sendo investigado. Marielle e Anderson foram assassinados quando passavam à noite pelas ruas Joaquim Palhares e João Paulo I, no limite entre os bairros Estácio e Cidade Nova, na região central do Rio.

Em dezembro, o general Richard Nunes, então secretário de Segurança na Intervenção Federal, disse, em entrevista ao jornal “Estado de São Paulo, que o crime contra Marielle Franco foi cometido por milicianos, motivado por ela ser uma ameaça a negócios de grilagem de terras na Zona Oeste.

Mais rapidez

O intuito da polícia é de que as investigações ocorram de forma mais rápida daqui para a frente. Para isso, o novo diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DGHPP), delegado Antônio Ricardo Nunes, designou um responsável para trabalhar exclusivamente no caso. A tarefa está nas mãos do atual Chefe da DH-Barra, delegado Giniton Lages. Outros dois novos delegados e cinco investigadores irão dar apoio.

“Determinei prazo. O que posso dizer é que o caso está caminhando e do jeito que estou esperando”, disse Antônio Ricardo. “Não quero que ande. Quero que (a elucidação do crime) voe. Só que, para isso, ele (Giniton) cuidará exclusivamente da apuração”, informou o diretor do DGHPP, que não quis comentar as informações obtidas pelo DIA sobre os novos suspeitos.”Não queremos adiantar porque o caso está sob sigilo”, disse.

O objetivo agora é reunir o maior número de provas contra o mandante e contra os executores para que suas defesas não tenham brecha para conseguir uma possível liberdade assim que os suspeitos forem presos.

Espaço de crimes na rede

Deep Web é uma expressão da língua inglesa que significa internet profunda. Trata-se de uma zona da rede mundial de computadores que não pode ser detectada facilmente pelos tradicionais motores de busca. Garante-se, assim, privacidade a quem quer cometer crimes. Os mais comuns são aqueles relacionados a pedofilia. Mas há também agiotas e assassinos.

Em outras palavras, a Deep Web é formada por sites, fóruns e comunidades que costumam debater temas de caráter ilegal e imoral. Para ter acesso, é necessário conhecer códigos secretos. O anonimato é garantido por meio de softwares. Por isso, é chamada de ‘internet invisível’.

Secretaria é extinta antes do prazo

O governo do estado anunciou nesta sexta-feira que a Secretaria Executiva do Conselho de Segurança Pública será extinta a partir de segunda-feira, antecipando, assim, as mudanças estruturais previstas para ocorrerem após seis meses do início do novo governo. As atribuições da pasta serão repassadas para as secretarias da Polícia Militar e da Polícia Civil.

A transição será coordenada pela Secretaria da Casa Civil e Governança. Roberto Motta, atual secretário do Conselho de Segurança Pública, será nomeado assessor especial do Gabinete do Governador.

Jornal O Dia