Natal em casa ou na cadeia?

Dia 25 é Natal e nunca foi tão célebre o ditado “cada um no seu quadrado”. No caso, uns em casa e outros, na cadeia.

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Por Cláudio Andrade
17 de dezembro de 2018 - 14h26

O Natal é uma data em que comemoramos o nascimento de Jesus Cristo. Na Roma Antiga, o 25 de dezembro era a data em que os romanos comemoravam o início do inverno.

Aqui no Brasil, o Natal é a data em que muitos se reconciliam, choram, comem, dão presentes e abusam da espiritualidade. Principalmente se o ano foi de preguiça espiritual.

Para alguns, o Natal será sem seus entes queridos. Alguns pela distância e outros pela inesquecível morte. Um parente que amamos não estar entre nós nessa época significa olhar para uma árvore de Natal e não enxergar as suas luzes.

Nesse natal também teremos personalidades do mundo político passando a data do nascimento do menino Jesus fora de casa, em lugar nunca antes imaginável.

Na cadeia, o novo lar de muitos detentores de cargos públicos, não haverá ceia farta. A não ser que o famoso privilégio impere, a comida será acanhada e a chegada o Papai Noel será substituída pelo “toque de recolher”.

No Natal se fala muito na necessidade de repassarmos o filme de nossas vidas. Refletir nos erros e acertos e tentar elaborar um novo ano mais acertado, justinho e cheio de alegria.

Na cadeia, o tempo para essa ação de introspecção será maior. Entre quatro paredes, vereadores, prefeitos e governadores, condenados ou aguardando julgamento, poderão lutar pelo auto perdão e confessar a Deus que os desvios de milhões dos cofres públicos, que mataram milhares de pessoas nas filas dos hospitais são sim, merecedor de punição.

Deus odeia o pecado, mas ama o pecador. Assim, esses políticos, agora trancafiados e sem Natal, já estão nas mãos de Deus, mas não estão isentos das responsabilidades de terem matado milhares de idosos que ficaram sem aposentadoria e impossibilitados de comprar seus remédios.

Sim, dia vinte e cinco é Natal. Vai ser uma noite de comida, árvore, abraços, choros e saudades. Muitos que não irão ter a mesa farta poderão culpar os políticos da cadeia, pois ao enriquecerem-se ilegalmente, diminuíram a felicidade de muitos e essa roubalheira desenfreada atingirá a mesa do contribuinte, que cada vez menos quer ser eleitor.

Na cadeia vai ter calor, angústia, saudades e inconformismo. Porém, nada se iguala a dor de uma portadora de câncer que até hoje não conseguiu fazer o primeiro exame e vê seu corpo ser consumido pela doença devido ao desvio de verba pública.

Estão na cadeia, pois, queriam viver o mundo de Alice. Queriam nadar na realeza obscura levando no bolso o dinheiro alheio, conquistado sem suor, apenas mediante corrupção.

O Natal simples de muitos será o melhor de todos, pois não haverá no centro da mesa, a consciência pesada daqueles que comem uma iguaria sabendo que naquele mesmo momento, idosos estão dormindo nas filas dos hospitais buscando uma ficha.

Dia 25 é Natal e nunca foi tão célebre o ditado “cada um no seu quadrado”. No caso, uns em casa e outros, na cadeia.