Prefeito de Niterói é preso em desdobramento da operação da Lava Jato no Rio

Segundo o MP, há quatro anos empresas de ônibus da cidade pagam propina para a gestão de Neves.

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Por Redação
10 de dezembro de 2018 - 10h01

O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT), foi preso, na manhã desta segunda-feira, na Operação Alameda, do Ministério Público do Estado do Rio e da Polícia Civil, um desdobramento da Lava Jato no Rio. Agentes chegaram ao prédio em que ele mora, em Santa Rosa, por volta das 6h, e realizam buscas no local. Os policiais esperavam Neves tomar café e ele deixou o local às 8h26, indo até o carro da Polícia Civil acompanhado da esposa. Ao todo, a operação busca cumprir 5 mandados de prisão e 19 de busca e apreensão.

Além de Rodrigo Neves, estão presos o ex-secretário de obras de Niterói e ex-conselheiro de administração da Nittrans, Domício Mascarenhas de Andrade, o presidente do consórcio transoceânico e sócio da viação Pendotiba, João Carlos Félix Teixeira e o administrador do consórcio Transnit e sócio da auto lotação Ingá,João dos Anjos Silva Soares. Mais um empresário do ramo do transporte público rodoviário, que ainda não teve sua identidade revelada, também é alvo da operação.

O Ministério Público e a Polícia Civil fecharam os acessos da Prefeitura e proibiram a entrada a de funcionários. Quem chegava no local era orientado a voltar para casa. Enquanto isso, os promotores vasculhavam a sede municipal para tentar encontrar possíveis provas.

Segundo o MPRJ, empresas de ônibus pagaram propina para a gestão de Rodrigo neves, entre 2014 e 2018, que somam aproximadamente R$ 10,9 milhões, que foram desviados dos cofres públicos, segundo a denúncia. O prefeito de Niterói é apontado como líder de esquema que cobrava das empresas de ônibus consorciadas do município 20% sobre os valores do reembolso da gratuidade de passagens. O benefício é concedido a alunos da rede pública de ensino, idosos e pessoas portadoras de necessidades especiais.

Além da casa do prefeito do seu gabinete, buscam também são realizadas nas residências dos outros acusados e nas sedes de oito empresas de ônibus que prestam serviço no município, além de escritórios dos consórcios Transoceânico e Transnit, e do Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (SETRERJ).

A expectativa é de que Rodrigo Neves seja levado para a Cidade da Polícia, no Jacarezinho. Quem assumirá a prefeitura de Niterói será o presidente da Câmara dos Vereadores de Niterói, Paulo Bagueira (Solidariedade), que desde agosto é suspeito de estar envolvido em um esquema de compra de votos na eleição de 2016, quando foi eleito. O  vice-prefeito de Niterói, Comte Bittencourt, deixou a gestão para reassumir o cargo de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Comte foi candidato a vice-governador na chapa de Eduardo Paes, nas eleições de outubro.

Intercepções telefônicas que resultaram em uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público flagraram Bagueira negociando a compra de votos no Cavalão com Monique Pereira de Almeida, mulher de Reinaldo Medeiros Ignácio, o Kadá, chefe do tráfico local e que está preso fora do estado. As investigações apontam que o político teria pago para formar um curral eleitoral na comunidade. As interceptações ocorreram uma semana antes das eleições, em outubro de 2016.

A Operação Alameda é executada pela da Polícia Civil, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ) e pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ).  Os cinco vão responder por peculato e corrupção ativa e passiva.

O coordenador de comunicação da Prefeitura de Niterói, João Kalache, disse que o executivo municipal não irá se pronunciar num primeiro momento sobre a prisão de Neves. “Fomos pegos de surpresa. Posteriormente à entrevista do MP veremos se a defesa do próprio prefeito ou a assessoria de imprensa da prefeitura irá se pronunciar.”

Repercussão 

Muitas pessoas que passavam pela Rua Vereador Duque Estrada, local onde mora o prefeito, comemoraram a prisão de Neves. Outras ficaram surpresas. Foi o caso da industriária Ana Maria Coelho, de 55 anos. “Estou muito surpresa com a prisão dele. O Rodrigo já havia sido citado na Lava Jato, mas nada chegou até ele. Estou muito impressionada com sua prisão”, disse a mulher incrédula na porta de Neves.

Já a auxiliar administrativa Gleice Almeida, de 53 anos, comemorou a prisão do prefeito. “Ontem ele estava comemorando com a família lá no Campo de São Bento. Hoje ele vai comemorar na cadeia”, diz a mulher . “Ele construiu o BRT da Região Oceânica e nunca colocou ônibus para circular. Há cinco anos não passa nada naquele local, é um absurdo. Demorou muito para ele ser preso”, conta Gleice que fazia fotos na polícia na porta de Rodrigo Neves.

Fonte: O Dia