“Abrindo um antigo caderno foi que eu descobri: Antigamente eu era eterno” (Paulo Leminski)

Segunda é dia de ler Leminski e ficar feliz sem sentir remorso!

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Por Date Moll
10 de dezembro de 2018 - 9h00

Paulo Leminski certamente ocupa um espaço privilegiado na literatura brasileira. Poucos escritores alcançaram tanta popularidade quanto o curitibano que ainda hoje continua arrebatando admiradores em todo país. A obra de Paulo perpetua-se por sua qualidade estética e por sua representatividade. Reproduzida à exaustão nas redes sociais, fato que comprova que sua poesia não ficou restrita à academia, ganhou leitores e fãs, fazendo com que uma antologia do autor recentemente publicada desbancasse best-sellers no número de vendagens.

A obra de Paulo Leminski combina elementos como a concisão, a irreverência, a coloquialidade e o rigor da construção formal. Foi um dos principais representantes da Poesia Marginal, também conhecida como Geração Mimeógrafo, tendência que agremiou escritores que utilizavam os recursos visuais da publicidade, subvertiam o cânone literário e distribuíam seus livros de maneira independente, sem contar com o apoio das grandes editoras. Leminski herdou parte da estética concretista, movimento surgido no Brasil na década de 1950, sendo considerado como um de seus principais nomes, ao lado de escritores como Décio Pignatari e Augusto de Campos.

Poeta, romancista e tradutor, Paulo Leminski nasceu no dia 24 de agosto de 1944, em Curitiba, capital do Paraná. Ainda jovem teve contato com o latim, a teologia, a filosofia e a literatura clássica, e aos 12 anos ingressou no Mosteiro de São Bento, em São Paulo. Em 1963 abandonou a vocação religiosa e em 1963 publicou, na revista Invenção (responsável por publicar a obra de poetas concretistas) cinco poemas. Atuou como professor de História e Redação em cursos pré-vestibulares e posteriormente tornou-se diretor de criação e redator em agências de publicidade, fato que influenciou sua produção poética. O primeiro romance, Catatau, foi lançado em 1975, livro que o próprio autor denominaria como “prosa experimental”.

eu
quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora

quem está por fora
não segura
um olhar que demora

de dentro do meu centro
este poema me olha
– Paulo Leminski, do livro “Caprichos e relaxos”. 1983.

Bem no fundo
No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos
saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.

Razão de ser
Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?

Não discuto
não discuto
com o destino
o que pintar
eu assino

o mar o azul o sábado
liguei pro céu
mas dava sempre ocupado

Paulo Leminski

nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez

Paulo Leminski

Eu queria tanto

eu queria tanto
ser um poeta maldito
a massa sofrendo
enquanto eu profundo medito

eu queria tanto
ser um poeta social
rosto queimado
pelo hálito das multidões

em vez
olha eu aqui
pondo sal
nesta sopa rala
que mal vai dar para dois.

Vazio agudo
ando meio
cheio de tudo

(Paulo Leminski)

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