Candidatos a governador são questionados sobre o futuro da Uenf e outras universidades

Wilson Witzel e Eduardo Paes foram procurados pela reportagem; reitores participaram de um encontro com o candidato do PSC nesta terça

Política
Por Ocinei Trindade
16 de outubro de 2018 - 18h42

Eduardo Paes, candidato ao governo do  Rio de Janeiro pelo Democratas (Foto:EBC)

O Brasil e o Rio de Janeiro vivem a expectativa para as eleições para presidente e governador do estado, respectivamente. As incertezas não são poucas, por exemplo, sobre o futuro das universidades estaduais. Os candidatos Wilson Witzel (PSC) e Eduardo Paes (DEM) foram procurados pela reportagem do Terceira Via, mas apenas Paes respondeu. Ele afirma se comprometer em manter repasses de recursos às instituições e garantir o financiamento da Faperj. Nesta terça-feira (16), reitores da Uerj, Uezo e Uenf se reuniram no Rio com o candidato Witzel. Segundo o reitor da Uenf, Luis Passoni, Witzel garantiu não privatizar as universidades, mas fala em cobrança para os cursos de pós-graduação.

Wilson Witzel é candidato pelo PSC ao governo do Rio de Janeiro (Foto:Reprodução)

O encontro de Wilson Witzel aconteceu na Casa de Leitura, no campus da Uerj, em Botafogo, no Rio de Janeiro. Durante uma hora, o candidato do Partido Social Cristão foi indagado pelos reitores das três universidades estaduais sobre seus projetos para o ensino superior em sua suposta gestão, caso eleito governador. O reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, professor Luis Passoni, afirmou que Witzel nega a possibilidade de privatizar as universidades como tem sido especulado.

Reitor da Uenf, Luis Passoni, se reuniu com os dois candidatos a governador (Foto:Silvana Rust)

“Ele cogita cobrar pelos cursos de especialização Lato Sensu, admitiu. Eu me manifestei contrário à esta hipótese, pois nossa realidade não permite um empreendimento na pós-graduação sem financiamento público. Ele disse que o investimento nas universidades dependerá da capacidade de arrecadação do estado do Rio. Ele defende a parceria com a iniciativa privada, algo que já fazemos relativamente com a Petrobras. Somos diferentes de Campinas, onde a Unicamp conta com diversas indústrias em volta, o que permite realizar parcerias público-privadas em maior escala ou alcance”, disse Passoni.

Os dois candidatos ao governo do Rio foram procurados por meio de suas assessorias de imprensa para falarem sobre o futuro da Uenf, depois que professores se reuniram no último dia 10 em um fórum para tratar dos problemas dos cursos de graduação e sobre o futuro  da universidade, ameaçado por crises financeiras e políticas no Rio de Janeiro e no país. Na ocasião, o diretor do Centro de Ciências do Homem, Marcelo Gantos, disse que a Uenf precisa pensar a graduação e a manutenção de seus cursos.  “ Entre outras coisas, é importante preservar o sistema democrático”, citou.

A reportagem perguntou a Eduardo Paes e a Wilson Witzel qual o posicionamento de ambos em relação a Uenf, sobre a especulação da instituição ser privatizada e como fazer para seus cursos continuarem funcionando, além das propostas de investimentos. Apenas a assessoria de Eduardo Paes se manifestou por meio de nota enviada por email.

O candidato Eduardo Paes visitou a Uenf durante a campanha no primeiro turno, reunindo-se com a reitoria da instituição em encontro aberto ao público. Disse que, se eleito, garantirá os repasses constitucionais de recursos às universidades estaduais e à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). O candidato do Democratas disse que a privatização das universidades públicas do estado não está em cogitação.

“A Uenf tem um papel fundamental no desenvolvimento do estado. Para mudar a matriz econômica, o estado do Rio tem que encontrar vocações que vão além da matriz óleo e gás, que tenham a ver com a sociedade do conhecimento, com a inovação, com a pesquisa. A universidade cumpre com esse papel fundamental. Então eu assumi um compromisso com o reitor e os docentes de que nós vamos ajeitar as contas do estado e viabilizar os recursos necessários: não só os 2% para pesquisa da Faperj, como também garantir os duodécimos para as universidades”, afirmou Paes.

Para Luis Passoni, há uma grande preocupação com as eleições presidenciais e para governador. “Temos que pensar o Brasil de maneira ampla, rever a questão da dívida pública do governo federal, além da estrutura do sistema tributário que afetam o país. No Rio, vemos um reflexo da situação federal com campanha baseada no ódio. A democracia está ameaçada”, concluiu.