A era do ciclismo e os riscos da modalidade

O mountain bike tem ganhado cada vez mais adeptos, mas a precaução deve ser redobrada

Geral
Por Taysa Assis
27 de setembro de 2018 - 9h52

O ciclismo, em especial a modalidade do Mountain Bike (MTB), tem conquistado os corações de muitos atletas e de pessoas que nunca tinham praticado nenhuma modalidade. Esporte que oferece a quem pratica a oportunidade de se exercitar ao ar livre, ter contato com a natureza, fazer novos ciclos de amizades, melhorar a auto estima, além de superar limites como escalar montanhas, mas principalmente de conhecer e deslumbrar lindas paisagens ao final do percurso. Todos esses motivos fazem com que quem pratica, fique viciado no esporte. Mas o que não é falado é que a modalidade também oferece riscos. O atleta deve sempre estar equipado de forma correta e principalmente atento ao percurso, pois, por um deslize, a queda pode ser fatal.

O personal trainer, Ramon Santos, pedala desde 2009, mas começou a levar o esporte a sério, há 2 anos, quando começou a treinar periodicamente e a conhecer as técnicas do Mountain  Bike (MTB). Desde que começou a pedalar sofreu três quedas. A última em outubro do ano passado, onde teve uma fratura em espiral na tíbia e na fíbula da perna direita.

“Em 19 de Outubro de 2017, tive a minha terceira queda, foi a pior, nunca havia passado por algo tão doloroso antes. Estava realizando uma subida com areia e pedras soltas, a uma velocidade de 28Km/h e devido a  um leve movimento que fiz no guidão da bike, a roda dianteira escapou e em uma fração de milésimos de segundo, eu estava no chão com uma fratura na perna”, relata.

Após dois dias do acidente o personal fez uma cirurgia.  Duas semanas após a operação começou a fazer fisioterapia, para o fortalecimento e recuperação da perna. Com um mês e meio o atleta já estava liberado para pôr o pé no chão. Completando dois meses, estava liberado das muletas e também para dirigir e começar o Spinning. Um mês depois recebeu a notícia de seu médico que estava apto para voltar a praticar o Mountain Bike e ter uma vida normal.

“Foi uma fase difícil por um lado, mas por outro, foi um momento muito especial em minha vida. Deus cuidou de mim a todo instante e digo que foi um momento especial, porque senti por muitas vezes a presença dele, eu sentia que ele estava comigo e em momento algum, nada me faltou. Eu fiquei muito bem espiritualmente e psicologicamente, graças a Deus. Aprendi o verdadeiro significado da palavra amizade, recebi muitas bençãos do senhor, ajuda financeira dos amigos, que fizeram uma rifa para arrecadar fundos e também doações, pois eles sabiam que sou autônomo e que precisava produzir para receber. Minha recuperação, como diz o médico, foi em tempo recorde. Voltei aos treinos e fiz coisas que não havia feito antes do acidente, como correr a pé 21 Km e a pedalar uma distância de 300 km”, descreveu Ramon Santos.

O atleta esteve a um mês tratando de uma inflamação no joelho esquerdo, voltou a pedalar no último dia 16 de setembro, onde foi realizada a 6º Pedal Aula, que tem o intuito de instruir os ciclistas sobre técnicas de subida e descida, orientando a postura na bike, a importância da utilização dos dois freios da bicicleta, dicas de alimentação, uso de equipamentos corretos entre outras orientações.

 GRV (Grupo de Resgate Voluntário)

O Grupo de Resgate Voluntário existe na cidade para prestar socorro voluntário aos acidentes que acontecem em todo município. O GRV é formado por cerca de 80 profissionais das áreas de enfermagem, técnicos de enfermagem, socorristas e condutores socorristas. Eles atuam em todo município prestando socorro e também orientando com trabalho de conscientização de segurança no trânsito em geral. Para acioná-los é necessário fazer uma chamada para a central 192 ou diretamente pelo Corpo de Bombeiros Militar pelo telefone  193. Dados apontam que, de de 2017 para 2018, houve um aumento de 20% no número de acidentes com bicicletas em todo município de Campos. Segundo o representante do GRV, Emílio Martins, a principal causa dos acidentes é a falta de conhecimento e atenção dos ciclistas.“Há dois tipos de ciclistas, aqueles urbanos e os profissionais que atuam em áreas mais afastadas da cidade, como os Mountain Bike. Os ciclistas urbanos normalmente não usam equipamentos de proteção e muitas vezes a falta de conhecimento do trânsito faz com que sofram mais acidentes do que os que são atletas ou praticam como hobby a modalidade do pedal. O primordial é ter bastante atenção. Já os que praticam o esporte estão mais conscientes e acostumados com a segurança, mas também não podem deixar de lado a atenção pois eles usam lugares mais extremos, então, tudo deve ser redobrado para que não ocorra acidentes graves”, ressalta Emílio Martins.