O fim dos feudos em Campos dos Goytacazes

Essa nova formação política não agrada a todos. Alguns homens públicos interpretam essa tendência com dificuldade

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Por Cláudio Andrade
20 de novembro de 2018 - 11h31

Aqui no Parque São Benedito só eu realizo trabalhos. No Alvorada, eu quem mando. Em Mata da Cruz, eu sou rei. No Farol, tá tudo dominado.

Essas expressões, por décadas, foram ouvidas pelos moradores de nossa Campos dos Goytacazes. Como um mantra, os eleitores eram doutrinados a conceber que apenas um político fosse o “Messias”, aquele que tudo resolve e, se não resolvesse, dane-se, ficava tudo como está.

Nos dias atuais, as coisas estão sendo modificadas de forma avassaladora. No município com mais de quinhentos mil habitantes, a população começou a entender que um político quando ele, de forma legítima, se torna um agente público deve, dentro das possibilidades, atender a todos.

Independente de sua quantidade de votos, ele agora é detentor de um cargo tanto quando o outro. Quem teve dois mil votos ou seis mil está no mesmo patamar de igualdade e direitos e deve entrar em qualquer bairro ou distrito, tendo ele sido votado ali ou não.

Essa nova formação política não agrada a todos. Alguns homens públicos interpretam essa tendência com dificuldade, pois o sistema antigo permitia que eles só saíssem da zona de conforto nos últimos meses antes do pleito eleitoral. Agora não, estão tendo que ir às ruas diariamente, seja para dar satisfações ou para produzir algo relevante que justifique seus subsídios.

As eleições gerais deste ano ainda terão a figura do “Messias”, mas nas próximas será muito difícil alguém convencer um eleitor com promessas. Caso estiver concorrendo pela primeira vez terá que trazer uma esperança aliada a ideias palpáveis e possíveis de serem feitas.

Caso esteja disputando uma reeleição, o que irá contar é a pasta de serviços prestados e nesse caso, vai valer o que será colocado na pedra, “olho no olho” do eleitor.