Após denúncia de Ministério Público, cirurgião plástico se defende

Renato Tatagiba nega erro médico durante cirurgia estética

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Por Redação
21 de setembro de 2018 - 18h23

A defasa do cirurgião plástico Renato Tatagiba, denunciado pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) por lesão corporal culposa em uma cirurgia estética realizada em janeiro de 2016, sustenta que a denúncia é “completamente equivocada, como será revelado e comprovado nos autos de uma possível ação judicial”. Para o MPES, Tatagiba — que atua em Campos e em outras cidades da região — teria cometido erro médico ao operar a paciente Luciana Mauricéia da Silva. O médico também foi denunciado por falsificação de documentos. Já a secretária da clínica onde ele trabalhava em Vila Velha, Priscila Nascimento de Souza Cyrilo, foi acusada de falsificar receituários e atestados médicos.

A advogada Rafaella Freire Ribeiro ressalta que a denúncia foi oferecida, mas que ainda não foi aceita pelo Juízo. “Sim, uma “possível” ação, pois que caso decida aceitar a denúncia, abrirá o prazo para que possamos executar o contraditório e a Ampla Defesa, anexando aos autos todas as informações, documentos, prontuários e depoimentos que comprovam a falsidade de todas as informações prestadas nesta denúncia. Para que todos possam entender, a denúncia oferecida de Lesão Corporal Culposa é Ação Penal Pública condicionada a representação, ou seja, o Ministério Público atua apenas por conta da natureza jurídica do que está sendo denunciado pela paciente do caso”, esclareceu a advogada.

A defesa nega que tenha havido intercorrência durante a cirurgia, nem cardiológica e nem de outro cunho. “A cirurgia desta paciente correu perfeitamente bem. A paciente já operou com o Dr. Renato Tatagiba em 2011 e com total satisfação voltou ao consultório em 2016 para realizar uma segunda cirurgia, após passar por uma gestação, para corrigir a mama, fazer uma lipoaspiração e corrigir a cicatriz de sua cesárea. No ato operatório, existe uma ata de sala de cirurgia em que tudo que ocorre no ato cirúrgico é descrito, tanto pelo Cirurgião Plástico, como pelo médico Anestesista. A paciente que fez a denúncia informa que ‘pode ter tido uma parada cardíaca’, ou seja, já é possível comprovar que essas alegações não passam de suposições, pois o que realmente comprova que ela não teve nenhuma intercorrência durante a cirurgia é a ata de sala de cirurgia que é bem clara em relatar que a cirurgia dela foi realizada com sucesso”, afirmou a advogada.

De acordo com a denúncia, após a intervenção cirúrgica, a paciente apresentou sintomas que não eram previstos como normais no pós-cirúrgico como “falta de ar, dores insuportáveis e a presença de secreções nos seios”.

Com relação aos sintomas, a defesa esclareceu que toda paciente que vai operar Tatagiba assina um termo de consentimento detalhado com relação a tudo que pode acontecer durante ou após a cirurgia.

“Neste termo é informado à paciente que ela poderá sentir dores, falta de ar, seroma, entre outros sintomas, o que é completamente normal na pós-cirurgia. O que não pode ocorrer é esses sintomas se estenderem por muito tempo, e este tempo dependerá de cada cirurgia que foi realizada. Quando isso acontece, a paciente é orientada a entrar em contato com o médico e sua equipe para saber como proceder, e todas as pacientes tem total suporte da equipe, não sendo diferente com ela. Tanto que, quando ela entrou em contato com o médico e informou o que estava sentindo, ele pediu que ela fosse a um hospital que ele trabalha para ser avaliada. Quando a paciente chegou ao Hospital, foi realizada uma bateria de exames e não fecharam nenhum diagnóstico que comprovasse que a cirurgia teria dado causa àquele quadro de saúde da paciente. Ela foi internada no CTI por conta dos sintomas que alegou sentir quando chegou ao Hospital”, narrou a advogada.

A respeito da denúncia de falsificação de documentos, a advogada Rafaella Freire Ribeiro também negou a acusação do Ministério Público. “Todas as receitas ficam prontas e assinadas em seu consultório e clínica, pois são medicações padrões a todas as pacientes que passam pela cirurgia, e a Priscila, que era funcionária de Dr. Renato na época, era incumbida de guardar essas receitas. Em nenhum momento se verifica qualquer prática de falsidade de documentos, pelo menos não por parte de Dr. Renato Tatagiba, se a ex-funcionária Priscila fez qualquer tipo de prática de falsidade, assinando em nome de outra pessoa, será investigada e responderá pelo ato praticado”, finalizou.