Apoe: 54 anos de dedicação celebrados nesta quinta com missa

Trajetória da associação fundada por Diva Goulart é marcada por pessoas especiais e histórias de superação

Campos
Por Taysa Assis
26 de abril de 2018 - 11h47

A Associação de Proteção e Orientação aos Excepcionais (Apoe) completou 54 anos de existência na última terça-feira (24). A comemoração aconteceu na manhã desta quinta-feira (26), com uma missa celebrada pelo Pe. Murialdo e contou com a presença de autoridades e políticos da cidade.

Sua história é marcada por amor, dedicação e comprometimento. Fundada por Diva Marina Goulart, a instituição atende gratuitamente cerca de 350 pessoas com deficiência intelectual, síndromes diversas, autismo e deficiência auditiva, entre bebês, crianças, adultos e idosos. O trabalho é realizado por 80 funcionários de diversas especialidades, num espaço com diversos setores, como oficinas pedagógicas, sala de recursos (com alunos inseridos em escolas), setor de estimulação precoce (0 a 6 anos), projeto de qualificação, projeto do idoso, setor de autismo, consultório médico e odontológico, enfermaria, refeitório, auditório e um ginásio que comporta 400 pessoas.

“Dona Diva teve a ideia maravilhosa de atender as pessoas carentes que necessitavam de atendimento especializado. Ela se uniu a um grupo de pessoas com os mesmos ideais, e fundaram a Apoe, sempre com o objetivo de atender essas pessoas que não tinham como fazer este tipo de atendimento, pois é caro. Eu cheguei há 30 anos, aprendendo muito com ela e sendo contaminada a fazer o bem. Deixou-me uma missão, juntamente com sua filha, a presidente, Lia Jane Goulart Marins. Temos uma luta que não é fácil e nunca foi, mas estamos dando continuidade com amor, empenho e principalmente com um olhar especial para essas crianças e famílias que precisam tanto da nossa Instituição”, diz a assessora da presidente, Neide Gebara.

De cunho filantrópico, a associação tem convênios com os governos federal, estadual e municipal, porém no momento não está recebendo verbas do governo federal. A maior parte dos recursos para sua manutenção vem da Prefeitura de Campos e de parceiros como o Sesc, a Coesa e a Loterj, que financia um projeto voltado ao autismo. Para arrecadar mais verbas, a instituição realiza trimestralmente eventos, dentro e fora do prédio. No dia 7 de maio, será realizado um show de prêmios.

Segundo Neide, as famílias das crianças atendidas na Apoe costumam chegar abatidas pelo diagnóstico médico. O primeiro papel da instituição é fazer uma avaliação e uma triagem. “O tempo é primordial, temos que correr atrás para que eles possam viver numa sociedade com todos os direitos”, explica. Também é feito um trabalho diretamente com as famílias, com acompanhamento do serviço social e de psicologia. A expectativa positiva e a troca de experiências acabam interferindo positivamente na evolução da criança. O trabalho exige sacrifício e muitas horas de dedicação; mas a recompensa vem com o tempo. “Ver crianças e bebês que chegam atrofiados na fala, na estrutura física de andar, e que com o tempo já estão andando – alguns até correndo nos nossos corredores – isso é uma grande recompensa; na verdade, uma vitória para toda a equipe técnica, que fica emocionada em participar deste momento”, garante a assessora.

Com tantas ações, o Projeto de Qualificação e Inserção no Mercado de Trabalho foi um grande passo dado pela Apoe, devido ao grande número de pessoas beneficiadas. Ele teve como primeira parceira a rede de supermercados Super Bom, responsável pela inserção de mais de 100 jovens. Com novas parcerias firmadas, hoje a instituição tem mais 30 empresas parceiras, empregando mais de 200 jovens. Os alunos que estão no mercado de trabalho já não fazem mais parte da Apoe, porém recebem acompanhamento periódico. Atualmente a associação tem em média 60 jovens fazendo qualificação.

Evolução surpreendente

Para Angélica Marinho de Brito Falcão Ferreira, mãe da pequena Sara, o susto foi grande ao receber o diagnóstico de síndrome de Down da filha. Na Apoe, a evolução da pequena foi surpreendente. “O desenvolvimento da minha filha tem sido maravilhoso. Sara tem uma hipotonia nos membros inferiores e, com as atividades e o tratamento, está a cada dia melhor. Carinhosa, meiga e muito esperta, minha filha só tem se tornado cada dia mais independente. O apoio que recebi e recebo até hoje dos profissionais daqui ajudou muito na evolução dela e de toda nossa família”, relata. De acordo com a psicóloga Aline Faria, quanto mais precoce for o diagnóstico da criança, melhor será sua resposta. “Fazemos um trabalho de estímulos, preparando os bebês e crianças para novas etapas. A família é extremamente importante, pois ela é a base dessa criança. A aceitação familiar é primordial para a evolução de cada dessas etapas. É muito importante eles terem esse entendimento para que o processo seja eficaz e se obtenha sucesso”, explica.

Atenção com os autistas

O autismo é trabalhado de forma lúdica. Quando chega à institui- ção com o diagnóstico desse transtorno, a criança passa por uma triagem, que define como será feito o seu atendimento. A atenção é individual, o que permite o desenvolvimento das habilidades que possam ajudar na sua convivência social, através do estí- mulo da aprendizagem. As intervenções terapêuticas envolvem a utilização de diversas técnicas. Em todo o processo, a equipe multidisciplinar realiza trabalhos específicos com as famílias, que participam de reuniões mensais. Com diagnóstico de autismo, Carlos Eduardo Lima tem 7 anos de idade e há três frequenta a Apoe. Segundo a mãe, sua evolu- ção tem sido surpreendente. “Ele era resistente, não conseguíamos dar muito carinho; e hoje, com o apoio da associação, que foi essencial, o Cadu mudou de comportamento, consegue realizar atividades. Está sendo crucial para a evolução do meu filho”, relata sua mãe, Chirlane Ribeiro de Lima.