Político com e sem perfil

O político que não tiver o seu perfil vai perder votos e ficar atrás na corrida da popularidade

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Por Cláudio Andrade
27 de fevereiro de 2018 - 13h44

O município de Campos dos Goytacazes é um dos quais ainda se observa com nitidez a força da política tradicional onde a figura do ‘sinhozinho’ e do velho ‘painho’ ainda existe.

Essa política, para muitos ultrapassada, ainda dá resultado e muitos candidatos se elegem ou se reelegem nesse sistema.

A política antiga é pautada no empreguismo, no favor de “porta em porta” e na gratidão que é ofertada para aquele que salvou a mãe, o pai ou algum filho daquele lavrador ou do pedreiro que, desesperado, bateu na porta do político.

Nos dias atuais esse sistema ainda existe e é impossível passar um dia sem receber esses tipos de solicitações. Contudo, com o advento das redes sociais, o político que não tiver o seu perfil vai perder votos e ficar atrás na corrida da popularidade.

Essa rede que hoje bate com força nos políticos, muitas vezes com razão, é a mesma que se tornou exigente e não aceita ver o político apenas de quatro em quatro anos, justamente em ano eleitoral.

As redes sociais são, nos dias de hoje, um canhão de apresentação de serviços de utilidade pública e nesta eleição serão, não restam dúvidas, um dos maiores caminhos rumo a uma boa votação, desde é claro, que o postulante tenha o que apresentar.

A instantaneidade das postagens apresentadas tem efeito tão impressionante que parece que estamos diante das pessoas, vinte e quatro horas por dia tamanho às manifestações positivas e negativas que chegam através de compartilhamentos e comentários.

Porém, há duas coisas negativas que chegaram junto com o avanço irreversível das redes sociais. O primeiro deles é a qualidade dos debates, pois em grande parte, não há uma interlocução educativa entre o político e o eleitor e sim um rosário de ofensas e de palavras de baixo calão que torna a matéria, inviável de ser apreciada.

O segundo ponto é a indústria do fake. Perfis falsos, orientados muitas vezes, por políticos contrários ao detentor do perfil e que pede adicionamento com o único intuito de denegrir, destruir ou causar desgastes morais ao político.

Essas pessoas são robôs a serviço de terceiros e muitos deles, inclusive, ganham para infiltrar seus perfis falsos nas páginas daquele político rival do seu contratante.

Volto a dizer: não estar na rede é retrocesso, mas para se manter dentro dela, há que se ter uma boa equipe de gerenciamento, de mídia, muito serviço prestado e inteligência para responder aos constritivos apoiadores ou contrários e isolar os que estão ali apenas para guerrear, sem que possuam ideias, bandeira ou qualquer pensamento digno de atenção.

Entendo que o político não deve estar nas redes somente nos dias de sol. Nos dias de chuva, quando as suas decisões estão sendo contestadas, é necessário que ele também fique ali, pronto para ser atacado, mas disposto a reordenar o debate com inteligência e argumentos.

Definitivamente, na rede, temos que ter perfil.