PF deflagra segunda fase da Operação Cardiopatas em Campos

Dois mandados de prisão preventiva não tiveram êxito. Os seis de busca e apreensão foram cumpridos

Campos
Por Redação
12 de janeiro de 2018 - 8h18
(Foto: Silvana Rust)

(Foto: Silvana Rust)

A Polícia Federal (PF) deflagrou a segunda fase da Operação Cardiopatas, em Campos, na manhã desta sexta-feira (12). Os agentes saíram em cumprimento de dois mandados de prisão preventiva, sem êxito, e cinco de busca e apreensão, todos cumpridos. Houve atuação em Campos e São João da Barra.

A ação acontece em endereços no Centro e em Goitacazes. Representantes da 12ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Campos acompanha a ação, pois um dos mandados de prisão foi expedido contra um advogado.

Os mandados foram pedidos pelo Ministério Público Federal (MPF) após análise de documentos obtidos na primeira fase da operação, que investiga corrupção de servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e fraudes previdenciárias e levou à prisão de treze pessoas no último dia 8 de dezembro, incluindo os médicos Admardo Henriques Tavares, Jairo Rodrigues Perissé e Renato Rabelo Amoy.

Segundo o delegado da Polícia Federal, Vinícius Venturini, o desdobramento surgiu a partir de informações obtidas nos materiais apreendidos no último dia 8. O número de fraudes em benefícios subiu de 34 para 67, com prejuízo total de R$ 11.385.441,76 ao INSS. “Encontramos farta documentação que comprova a fraude”, afirmou Venturini.

A partir da fase inicial da operação, também surgiram dois novos intermediários envolvidos. “Com os depoimentos dos envolvidos e a análise do material apreendido, chegamos à identificação de mais dois intermediários, membros da organização criminosa”, informou o delegado, acrescentando que, um deles é um advogado conhecido em Campos.

As buscas ao advogado foram acompanhadas por um representante da Ordem do Advogados do Brasil (OAB), em Goitacazes, na Baixada Campista. “Na internet pesquisei e vi que o advogado tem pouquíssimos processos em andamento. Não é atuante. Ele não atuava como advogado no esquema”, concluiu Venturini, ainda explicando que os intermediários cooptam pessoas, geralmente humildes, e forjam documentos médicos para serem apresentados ao INSS na obtenção de auxílio-doença.

Mandados de busca e apreensão
Um dos mandados de busca e apreensão foi cumprido na residência de um cardiopata, na localidade de Poço Gordo. “Ele se submetia a exames cardiológicos, mas se identificava com os nomes dos beneficiários da quadrilha. Apresentava a identidade de um cliente da quadrilha, que recebia um eletrocardiograma com o coração doente e ia até a perícia. Era uma fraude bem arquitetada, com médicos envolvidos que facilitavam o deferimento. Mesmo os médicos honestos poderiam ser induzidos ao erro”, destacou o delegado.

Ainda segundo Vinícius Venturini, o cardiopata realizava de dois a três exames mensais e recebia R$ 300 por cada um deles.

O material apreendido no cumprimento dos mandados desta sexta-feira será analisado. Novas diligências serão realizadas na tentativa de cumprimento das prisões preventivas.

Em relação à fase anterior da operação, dos 15 mandados de prisão preventiva foram cumpridos, apenas seis envolvidos seguem presos. O único foragido é o suspeito de chefiar o esquema, identificado como Rogério Vasconcelos Maciel.

Sete servidores do INSS, entre eles o médico Admardo Henriques Tavares, conseguiram converter a prisão em afastamento do cargo exercido. Já o médico particular Jairo Rodrigues Perissé foi solto após o final do prazo de cinco dias da prisão temporária.