Médicos alertam: melanoma exige cuidados como qualquer tipo de câncer

Só no ano passado, a estimativa de novos casos foi de 5.670, sendo 3 mil em homens e 2.670 em mulheres

Saúde
Por Letícia Nunes
17 de dezembro de 2017 - 0h01

protetor_solarO maior órgão do corpo humano é a pele. Trata-se de uma espécie de escudo, que nos protege contra o calor, a luz do sol, lesões e infecções. Ela também é a responsável por ajudar a regular a temperatura, armazenar água, gordura e atuar na produção de vitamina D. Ela ainda se divide em várias camadas, como a epiderme, localizada na superfície e onde o câncer de pele se manifesta. Entre os tipos de tumores malignos está o melanoma, o mais grave e que pode levar o indivíduo à morte. Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam que só no ano passado, a estimativa de novos casos foi de 5.670, sendo 3 mil em homens e 2.670 em mulheres.

A dermatologista Ana Maria Pellegrini explica que este tipo de câncer se desenvolve a partir dos melanócitos, que são células produtoras de melanina, estas são encontradas na parte mais profunda da epiderme. A melanina é responsável pela pigmentação da pele, cabelo e olhos. Ela também protege o DNA da ação nociva da radiação emitida pelo sol. Quando há exposição aos raios solares, os melanócitos produzem mais pigmentos e, como consequência, a pele escurece.

dra-ana-maria-pellegrini-arquivo-pessoal-1“Esta neoplasia maligna ocorre geralmente na pele, mas pode se manifestar mais raramente na boca, intestinos ou olhos. Em mulheres, as lesões desenvolvem-se mais frequentemente nas pernas, enquanto que nos homens a área mais atingida é o tronco. A atenção para este tipo de câncer de pele deve ser redobrada porque é o mais agressivo, mas felizmente o mais raro. A mortalidade é de cerca de 25%, sendo maior em homens. Os melanomas representam apenas de 4 a 5% dos casos dos 140 mil anuais de todos os tipos de câncer de pele, que representam 25% dos cânceres no Brasil. São mais comuns após os 40 anos, em áreas da pele expostas ao sol, em pessoas que se bronzeiam sem filtro solar ou com predisposição genética, isto é, histórico familiar”, explica.

O câncer de pele pode se manifestar como uma lesão que não cicatriza em um período de trinta dias. O paciente pode fazer um autoexame e assim começar a detectar alguma deformidade. As lesões de pele se encaixam nos seguintes fatores:

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A médica ainda explica que existem quatro tipos de melanomas: o superficial, que representa 70% dos casos, é o menos agressivo, está restrito a epiderme e é mais comum em jovens, o nodular que representa 15% dos casos, é invasivo, agressivo, que pode ter diversas cores e é mais comum em idosos, o lentigo maligna, é bem superficial, marrom, formando nódulos elevados em partes muito expostas ao sol e também mais comum em idosos e o acral lentiginoso, mais comum entre indivíduos em asiáticos e negros, cresce mais rápido, ou seja, o mais agressivo e pode estar oculto embaixo da unha ou na sola do pé.

gustavo-drumond-silvana-rust-2O oncologista Gustavo Drumond ressalta que nos últimos anos houve uma grande melhora na sobrevida dos pacientes com melanoma, principalmente devido à detecção precoce do tumor, por isso o prognóstico desse tipo de câncer pode ser considerado bom, se for descoberto nos estádios iniciais.

“O diagnóstico precoce do câncer de pele do tipo melanoma possibilita sua cura. Ele pode ser realizado pelo paciente a partir da identificação de lesões suspeitas e por profissionais de saúde que, diante de danos na pele com características malignas, o encaminharão para serviços de referência para confirmação diagnóstica, por meio de biópsia. No tratamento, a cirurgia é o mais indicado. A radioterapia e a quimioterapia também podem ser utilizadas dependendo do estágio do câncer. Quando há metástase, na qual o câncer já se espalhou para outros órgãos, o melanoma é incurável na maioria dos casos. A estratégia de tratamento para a doença avançada deve ter então o objetivo de aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente”, revela.