Cancelada ontem, reconstituição do assassinato de Ana Paula acontece na manhã desta quarta

Motivo do cancelamento seria uma falha de comunicação entre a Promotoria de Justiça e a Administração Penitenciária

Geral
Por Redação
10 de outubro de 2017 - 15h46
(Foto: Filipe Lemos/Campos 24 Horas)

(Foto: Filipe Lemos/Campos 24 Horas)

A reconstituição do crime que chocou o município de Campos, marcada para a tarde desta terça-feira (10), foi cancelada. A informação é do delegado titular da 146ª Delegacia de Polícia de Guarus, Luís Maurício Armond. Segundo ele, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) não teria trazido para Campos os dois suspeitos do crime — Igor Magalhães de Souza e Wermison Siguimaringa Ribeiro — que estão presos em Itaperuna. Segundo o delegado, houve uma falha na comunicação da Promotoria com a Seap. A ação foi remarcada para esta quarta-feira (11), às 9h30.

Novidades
Para a imprensa, o delegado informou ainda que as investigações sobre o caso estão bastante avançadas. Segundo ele, outras provas foram obtidas, entre elas a gravação de telefonemas

(Foto: Filipe Lemos/Campos 24 Horas)

(Foto: Filipe Lemos/Campos 24 Horas)

dos executores — que utilizaram os telefones celulares das próprias mães para esquematizar o crime. “Além disso, outras diligências estão acontecendo para que a gente encerre esse caso em breve. Também descobrimos algumas atuações dos envolvidos com o intuito de ocultar informações e também estamos tomando previdências quanto a isso. No mais, é importante esclarecer que descobrir a motivação do crime é importantíssimo, mas não é fundamental. O caso está cada vez mais caracterizado e não temos mais dúvidas quanto a autoria”, declarou.

Delegado Luis Maurício Armond recebeu a Imprensa (Foto: Carlos Grevi)

Delegado Luis Maurício Armond recebeu a Imprensa (Foto: Carlos Grevi)

Reconstituição
A recontituição do crime estava marcada para às 15h desta terça-feira (10) por iniciativa do delegado titular da 146ª Delegacia Legal de Guarus, Luis Maurício Armond. Na ação, deveriam estar presentes o Ministério Público, a equipe da Polícia Civil, a Polícia Militar, a Guarda Civil Municipal de Campos e os acusados do crime, Luana Sales, Igor Magalhães de Souza e Wermison Siguimaringa Ribeiro. Objetivo era percorrer o mesmo caminho que Ana Paula e Luana seguiram no dia do crime e também no mesmo horário.

Caso Ana Paula

Ana Paula foi baleada no final da tarde do dia 19 de agosto, na Rua Comendador Pinto, em uma praça, no Parque Rio Branco, em Guarus. As primeiras informações davam conta de que a vítima, que estava acompanhada da cunhada – Luana Sales – teria sido vítima de uma tentativa de latrocínio, mas depois foi revelado que a cunhada teria encomendado a morte da universitária.

Luana teria acordado pagar R$ 2.500 para que dois assassinos cometessem o crime de modo que parecesse um latrocínio (roubo seguido de morte) e, assim, extinguissem demais suspeitas. Antes do atentado, a cunhada já teria acertado R$ 2 mil e o restante seria pago após o episódio. Além de Luana, outros três homens estavam envolvidos no esquema — os dois executores, tratados inicialmente como assaltantes; e um terceiro, que seria o responsável por fazer a ligação entre a cunhada e os outros dois.

No dia do crime, a cunhada teria levado Ana Paula até a praça do Parque Rio Branco onde aconteceu o crime, sob a justificativa de visitar um terreno e experimentar o vestido que Luana usaria no casamento de Ana Paula, em que seria madrinha. As duas teriam parado para tomar um sorvete nessa praça quando a vítima foi abordada pelos executores. Eles teriam pedido o celular da moça, que o entregou sem reagir, mas ainda assim foi alvejada com três tiros — dois no tórax e um na cabeça.

No dia seguinte, a Polícia Militar localizou e prendeu um dos atiradores, Igor Magalhães de Souza, de 20 anos, Na noite do dia (21) os policiais encontraram o segundo executor do crime, Wermison Carlos Sigmaringa Ribeiro, de 19 anos, em uma residência na praia de Santa Clara, em São Francisco de Itabapoana. Além de confessar o fato, W.C., como seria conhecido, também apontou Luana como a mandante do crime. Ele disse ter recebido a quantia, enterrado o celular usado para esquematizar o assassinato e fugido para a praia.

Na manhã do dia 22, os policiais prenderam o terceiro suspeito, que seria o homem no qual Luana contratou para fazer a mediação entre ela e os executores. Marcelo Henrique Damasceno de Medeiros, de 25 anos, era namorado de uma amiga de Luana e foi localizado no Parque Santa Clara, em Guarus. Marcelo contou aos policiais civis que a suposta mandante teria dito que Ana Paula estaria “maltratando” uma criança de quatro anos e, por isso, deveria morrer. No entanto, o delegado da 146ª DP afirma que essa justificativa não seria verdadeira, mas apenas uma “desculpa” para que os executores cometessem o crime “sem pena”.