Dinheiro novo e lucros: mais royalties para os Estados e municípios

Leilões de Blocos da Agência Nacional do Petróleo na Bacia de Campos injetam recursos no Estado

Campos
Por Marcos Curvello
9 de outubro de 2017 - 0h01

conteudo254Com a primeira oferta de blocos de exploração de petróleo na Bacia de Campos em dez anos, a 14a Rodada de leilões da Agência Nacional do Petróleo trouxe uma injeção de ânimo ao Estado do Rio de Janeiro e, mais especialmente, à região Norte Fluminense. O maior bônus de assinatura veio daqui. Foram R$ 2,24 bilhões ofertados pelo cobiçado bloco C-M-346. Ao todo, os blocos arrematados na maior província petrolífera do Brasil renderão mais de R$ 3,6 bilhões à ANP — um valor histórico.

De acordo com a Secretaria de Estado da Casa Civil e Desenvolvimento Econômico, os investimentos mínimos na fase exploratória inicial são estimados em R$ 634 milhões, distribuídos ao longo dos próximos sete anos. Dinheiro que deve beneficiar municípios como Campos, São João da Barra e Macaé.

De acordo com o secretário Christino Áureo, o interesse da Petrobras e da ExxonMobil — que arremataram sozinhas e em consórcio, oito dos dez blocos ofertados na Bacia de Campos — “sinaliza o grande potencial na região”. A capacidade de produção da área é estimada em 5,7 bilhões de barris óleo e 92 bilhões metros cúbicos de gás natural.

Ao jornal O Debate, de Macaé, Gilson Coelho, que é gerente executivo da Associação Brasileira das Empresas de Serviços do Petróleo (Abespetro), afirmou que a Região Norte Fluminense será a que “mais se beneficiará com esse resultado do leilão da ANP”.

Expectativa
A expectativa é de que o leilão reaqueça a indústria offshore, que vem sofrendo perdas desde o início de 2015, com a queda do preço do barril de petróleo no mercado internacional, e possibilite que o setor volte a gerar empregos. Um movimento que refletiria na economia dos municípios em que as empresas estejam operando.

Três poços serão perfurados em área próxima ao Estado do Rio de Janeiro, o que deve gerar grande demanda por bens e serviços. Serão feitos levantamento e processamento geofísico, perfuração de poços, perfilagem, cimentação e completação de poços, estudos sísmicos, afretamento e operação de embarcações especiais, procedimentos que exigem equipamento e mão de obra especializados.

Segundo cálculos da Firjan, o compromisso de 18% de conteúdo local deve injetar na economia fluminense pelo menos R$ 100 milhões. O potencial de contratação chega a mil vagas, garante o diretor-geral da ANP, Décio Oddone.
“Se eles descobrirem um campo no porte que esperam, haverá um impacto muito relevante na economia. E todo o apoio à indústria offshore fica entre Macaé e Porto do Açu”, afirmou ao jornal O Globo.

Renascimento
Dado como marco zero do renascimento do setor no Estado do Rio de Janeiro, a 14a Rodada de leilões da ANP aconteceu no último dia 27. Foram ofertados 287 blocos Bacia de Campos, serão leiloados blocos nas bacias sedimentares nas Bacias de Parnaíba, Potiguar, do Recôncavo, de Sergipe, Alagoas, do Espírito Santo, do Paraná, de Santos e de Pelotas. Destes, 37 foram arrematados. Participaram 32 empresas nacionais e internacionais, seis delas estreantes no Brasil.

Na bacia de Campos dois blocos foram arrematados pela americana ExxonMobil: o C-M-37, que rendeu R$ 47,1 milhões em bônus de assinatura, e o C-M-67, pelo qual pagou outros R$ 16,3 milhões.
A petroleira arrebatou outros seis blocos em consórcio com a Petrobras: o cobiçado C-M-346, por R$ 2,2 bilhões, o C-M-411, por R$ 1,2 bilhão, o CM-344, R$ 31 milhões, o C-M-413, por R$ 65 milhões, o C-M-210, R$ 13 milhões, e o C-M-277, por R$ 40,9 milhões. A estatal nacional será a operadora.