Delegado da PF confirma tentativa de suborno a juiz para evitar prisão de Garotinho

Paulo Cassiano Júnior concedeu uma coletiva à imprensa para confirmar o caso. O suspeito do crime é o ex-procurador da Câmara, Luís Felippe Klem.

Campos
Por Redação
20 de setembro de 2017 - 10h03
(Foto: Silvana Rust)

(Foto: Silvana Rust)

Na manhã desta quarta-feira (20), a Polícia Federal cumpriu a ordem judicial de busca e apreensão na residência do ex-procurador Geral da Câmara de Vereadores de Campos, o advogado Luís Felippe Klem de Mattos, que teria tentado subornar o juiz Glaucenir de Oliveira no final do ano passado, logo após a decretação da prisão do ex-secretário de Governo e ex-governador do estado, Anthony Garotinho. Ainda nesta manhã, o delegado da Polícia Federal, Paulo Cassiano Júnior, concedeu uma coletiva à imprensa para explicar detalhes sobre o caso.

Segundo o delegado da PF, a ordem judicial foi expedida pelo juízo da 100ª Zona Eleitoral. Ele explicou que a tentativa de corrupção ocorreu com o intuito de evitar a decretação de medida restritiva contra Garotinho e seu filho, Wladmir Matheus. O ex-procurador da Câmara teria levado a proposta de suborno a dois empresários, amigos do juiz Glaucenir, em circunstâncias de tempo e de local distintas. Os nomes dos empresários não foram divulgados por questão de segurança.

Paulo Cassiano disse ainda que, no início deste ano, a Polícia Federal instaurou um inquérito, requisitado pelo Ministério Público, para apurar esse fato. “Esse inquérito foi presidido por mim e, em um espaço de tempo curto, conseguimos identificar a proposta de suborno”, afirmou.  Ele acrescentou que as versões apresentadas pelos dois empresários foram “muito coerentes entre si” e que “não há dúvidas quanto ao envolvimento dele [de Luís Felippe Klem de Mattos]”. No entanto, o delegado afirmou que não é possível afirmar se essa tentativa de suborno aconteceu a mando de Anthony Garotinho. “Não há provas que indiquem isso”, disse.

O delegado declarou ainda que as investigações estavam concluídas desde o início deste ano, mas devido a burocracias processuais, houve a demora na divulgação do fato. “Esse processo ‘dormiu’ no Ministério Público Federal por dois meses, até que a juíza responsável chegou a conclusão que não era competente para julgar esse caso e o transportou para a Justiça Eleitoral, que aprovou a investigação. O trabalho da PF foi célere, mas houve demora na comunicação oficial do fato à polícia, deve ter levado uns três meses. Somado a dois meses que isso ficou na Justiça Federal, são cinco meses de inércia, lamentavelmente. Nós gostaríamos de ter dado uma resposta à sociedade há mais tempo”, afirmou.

Cassiano disse ainda que o inquérito da tentativa de corrupção ao juiz foi entregue à Justiça Eleitoral por ele mesmo e o promotor eleitoral teria entendido que a investigação não precisaria sequer prosseguir em relação ao Luís Felippe Klem. O ex-procurador é denunciado pela prática de corrupção e, por isso, houve por parte da PF e do MP o pedido de decretação de várias medidas cautelares em relação ao suspeito.

“Tivesse sido o fato comunicado à época, seguramente essa conduta era de gravidade tal que ensejaria da minha parte um pedido de prisão cautelar. No entanto, como o fato se passou há quase um ano, não foi possível fazer isso. Mas, ainda assim, requeri diversas outras medidas cautelares, como a condução coercitiva dele; a proibição dele de contatar pessoas ligadas ao processo, autoridades e testemunhas; e o MP e o juízo também decretaram outras medidas. Segundo a decisão, ele está com determinação de recolhimento domiciliar aos finais de semana; proibição de contatos com autoridades e testemunhas da Chequinho; e proibição de acessar dependências da Câmara e da Prefeitura de Campos, salvo na condição de contribuinte”, declarou o delegado.

Agentes da PF na frente da casa do ex-procurador da Câmara, Luís Felipe Klem (Foto: Silvana Rust)

Agentes da PF na frente da casa do ex-procurador da Câmara, Luís Felipe Klem (Foto: Silvana Rust)

Nesta manhã, durante o cumprimento da ordem de busca e apreensão, a mãe de Luís Felippe recebeu delegado e informou que o ex-procurador não está em Campos, mas foi deixado com ela o mandado de intimação para que ele compareça na quinta-feira (21) à sede da Polícia Federal.  “Isso significa que ele foi oficialmente comunicado da necessidade de comparecimento; caso ele não compareça, a PF avaliará a necessidade de representar pela prisão dele”, concluiu.

Felippe Klem de Mattos atuava como Procurador Geral do Município de Quissamã, mas a prefeitura, ao tomar conhecimento das informações sobre as investigações, optou pela exoneração do suspeito aguarda o desdobramento das averiguações em curso.

A advogada de Felippe, Rachel Ferreira Kleim, disse que não vai se pronunciar sobre o assunto.