Os arraiás chegam com tudo neste mês de junho e se estendem até setembro

As expressões "anavan e anarriê" nunca estiveram tão em alta como agora

Entretenimento
Por Roberta Barcelos
15 de junho de 2017 - 16h19
Fogueira é fundamental nas festas (Foto: reprodução)

Fogueira é fundamental nas festas (Foto: reprodução)

Junho chegou chegando e, com o frio, trouxe também o período que muita gente ama que é o das festas Juninas. No Brasil, em meados do século XVII, as Festas Juninas foram aos poucos absorvidas pela cultura dos brasileiros. Na época da colonização, após o ano de 1500, os portugueses introduziram em nosso país muitas características da cultura europeia, como as festas juninas.

Mas o surgimento dessas festas foi no período pré-gregoriano, como uma festa pagã em comemoração à grande fertilidade da terra, as boas colheitas, na época em que denominaram de solstício de verão. Essas comemorações também aconteciam no dia 24 de junho, para nós, dia de São João. Essas festas eram conhecidas como Joaninas e receberam esse nome para homenagear João Batista, primo de Jesus, que, segundo as escrituras bíblicas, gostava de batizar as pessoas, purificando-as para a vinda de Jesus.

Assim, passou a ser uma comemoração da Igreja Católica, onde homenageiam três santos: no dia 13 a festa é para Santo Antônio; no dia 24, para São João; e no dia 29, para São Pedro. Os negros e os índios que viviam no Brasil não tiveram dificuldade em se adaptar as festas juninas, pois são muito parecidas com as de suas culturas. Aos poucos, as festas juninas foram sendo difundidas em todo o território do Brasil, mas foi no nordeste que se enraizou, tornando-se forte na nossa cultura.

Nessa região, as comemorações são bem acirradas – duram um mês, e são realizados vários concursos para eleger os melhores grupos que dan- çam a quadrilha. Além disso, proporcionam uma grande movimentação de turistas em seus sstados, aumentando a renda da região. Com o passar dos anos, as festas juninas ganharam outros símbolos característicos. Como é realizada num mês mais frio, enormes fogueiras passaram a ser acesas para que as pessoas se aquecessem em seu redor. Várias brincadeiras entraram para a festa, como o pau de sebo, o correio elegante, os fogos de artifício, o casamento na roça, entre outros, com o intuito de animar ainda mais a festividade.

O sanfoneiro embala o casal (Foto: reprodução)

O sanfoneiro embala o casal (Foto: reprodução)

Tradição

Quadrilha – Festa Junina que se preze deve ter uma quadrilha na sua programação. A dança é feita em pares, que devem estar caracterizados como a ocasião pede. Um animador dita as frases dos respectivos passos e ações e, em seguida, os participantes devem submeter-se aos movimentos e coreografias estabelecidos. “Olha a chuva!”, “Olha o formigueiro!”, “A ponte quebrou!”, “É mentira!” são alguns dos “passos” mais conhecidos da quadrilha.

Fogueira – A fogueira tem algumas simbologias. Alguns acreditam que ela seja uma forma de purificação, proteção contra maus fluidos e espíritos maus e até agradecimento e homenagem a deuses. Além desses significados, ela pode ser também o símbolo da reunião de familiares e amigos. Sem contar a alegria que dá ao ambiente da festa. Esse item também é muito importante no que diz respeito à caracterização da festa, seja a fogueira feita de forma natural, seja a fogueira feita artificialmente com papeis coloridos que lembrem os troncos de lenha e as chamas do fogo. A fogueira natural também ajuda a aquecer os festeiros, já que as Festas Juninas geralmente ocorrem em meses mais frios, como junho e julho.

Comidas e bebidas típicas – Esse é, sem dúvida, para os festeiros, o item mais gostoso (literalmente) de se organizar em uma Festa Junina. Com um rico cardápio, tanto de itens doces quanto salgados, as comidas típicas de Festa Junina são uma delícia e sucesso garantido. Na maioria das vezes, são itens de preparação mais rústicos, sem muita elaboração, mas com muito sabor. Itens com milho, como bolo de milho, curau, pipoca, canjica e pamonha, estão entre os preferidos.

Manoella Caiuby Barcelos toda prosa pra festa (Foto: reprodução)

Manoella Caiuby Barcelos toda prosa pra festa (Foto: reprodução)

Caracterização e vestimenta – É uma das partes mais divertidas da Festa Junina. A caracterização e a vestimenta são o “coração” da festa. Ir a uma Festa Junina e não estar a caráter não é a mesma coisa. A tradição da roupa e demais caracterizações foram sofrendo adaptações quando a festa chegou ao Brasil. Antigamente, as vestimentas consistiam em perucas, anáguas, saltos e outras roupas pomposas, tudo como a moda francesa pedia, já que a dança era realizada em salões nobres na França. Com a chegada em nosso país, tanto o estilo da dança (que teve a influência de escravos e, depois, do povo nordestino) quanto as vestimentas foram alterados. Houve a adesão a chapéus (em razão do trabalho no campo), sandálias de couro, tecido de chita ou chitão, além dos remendos nas calças, que eram colocados para dar a aparência de estarem mais novas, já que os trabalhadores também as usavam na lavoura. Os vestidos também foram encurtados, em virtude do clima mais quente do Brasil, principalmente no Nordeste.

Música – De nada adianta cuidar da decoração, da vestimenta e caracterização, das brincadeiras e quitutes, mas não atentar para as músicas da Festa Junina. A música é parte principal do evento, pois garante a animação de todos os participantes. As seleções das músicas para esse tipo de celebração devem estar mais focadas em sons nordestinos, com muita sanfona, triângulo e bumbo. Ritmos animados e no estilo caipira/ sertanejo fazem muito sucesso. Circuito de Arraiás Farol de São Thomé: A Associação de Comerciantes, Hotéis e Similares do Farol (Aschom), com o apoio da Prefeitura de Campos, através do departamento de Turismo, realiza o circuito de arraiás do Farol de São Thomé. Serão nove sábados, nos meses de junho e julho, de muita festa e animação em diferentes pontos da praia campista. O objetivo é incentivar o turismo e movimentar a economia local.