O pescador de 12 milhões de reais

A distribuição dessa verba ocorreu em pelo menos três eleições...

Geral
Por Cláudio Andrade
17 de abril de 2017 - 8h24

Não me causou espanto o fato de o pescador campista aparecer como o sexto maior beneficiado com dinheiro oriundo de caixa dois.

Seria uma ingenuidade acreditar que, por trás daquele discurso moralista e agressivo,  estaria um homem sem pecados. O pescador foi pego e a sua vara será estendida pela Justiça até chegarmos à abundância de seus cardumes.

Segundo as delações, o Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, pagou R$ 12 milhões ao pescador, mas esse valor pode ter chegado a R$ 20 milhões.

A distribuição dessa verba ocorreu em pelo menos três eleições, segundo o delator: duas nas campanhas da esposa do pescador, em 2008 e 2012 e uma na do próprio ex tudo, em 2014.

Aqui em nossa planície, onde o Rio Paraíba do Sul atravessa, o pescador usou seu barco por anos a fio, tratando a sua tripulação como marionete e levando-as a mares tortuosos devido a mentiras bem articuladas.

A queda da máscara do pescador vem em boa hora. Na Câmara dos Vereadores de Campos algumas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) estarão em curso e teremos a oportunidade de abrir o convés e trocar de uma vez o motor de popa dessa nebulosa embarcação.

Durante muitos anos, diversas pessoas foram conduzidas a viagens perigosas e que causaram danos irreparáveis à população. O pescador, dotado de uma boa lábia, calafetava o casco dos barcos com discursos abstratos visando seus sonhos mirabolantes de poder, pelo Poder.

Mesmo diante da queda do pescador, ainda existem algumas longarinas e quilhas que insistem em propagar o legado falido do sexto maior recebedor de caixa dois.

Enquanto alguns acreditavam no falso mantra difundido pelo pescador, a Odebrecht, no governo da esposa do pescador venceu duas licitações, totalizando R$ 833 milhões.

Na primeira delas, para a construção de 5,1 mil casas populares do programa “Morar Feliz” a Odebrecht faturou contrato de R$ 357 milhões. O delator revelou que, ao contrário do que ocorre normalmente, o modelo da licitação foi lote único, o que impediu que construtoras pequenas, sem condições financeiras, entrassem na disputa.

O delator Leandro Azevedo contou também que, para que a Odebrecht não aparecesse como única interessada na licitação, representantes da empreiteira negociaram com a Queiroz Galvão e Carioca Engenharia – construtoras com concessões em Campos – para que apresentassem propostas com valores acima à da Odebrecht.

Finalizo com um trecho do poema de Vinícius de Moraes: “Ah, que tu és poderoso, pescador! caranguejo não te morde Marisco não te corta o pé, ouriço-do-mar não te pica”

E agora pescador?

Foto: Estadão (Edu e Balão)