Servidores municipais sem motivos para comemorações

Mesmo após anos de luta, categoria não foi contemplada com algumas de suas principais reivindicações

Geral
Por Marcos Curvello
27 de março de 2017 - 12h00
(Foto: Carlos Grevi)

(Foto: Carlos Grevi)

Os últimos anos foram de luta para os servidores públicos de Campos. Concursados das áreas de saúde e educação e da Guarda Municipal, entre outros, saltaram de protesto em protesto para garantir direitos entendidos como básicos pela categoria, como vale-transporte, auxílio alimentação e plano de saúde. Considerado uma das principais conquistas do funcionalismo municipal neste período, o Plano de Cargos e Salários (PCS), sancionado em 6 de maio de 2015 após 13 anos de espera, só saiu do papel depois de muita mobilização e diversos atos públicos. De megafones e faixas nas mãos, vestidos de preto em sinal de luto ou ostentando narizes de palhaços, a classe foi às ruas e pressionou por mais dignidade.
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Protestos como os promovidos por servidores no Boulevard Francisco de Paula Carneiro e pelo magistério público municipal às portas da Prefeitura, em 30 de março e 5 de agosto de 2011, respectivamente, chamaram a atenção das autoridades para a baixa remuneração e a ausência de direitos como insalubridade e isonomia de carga horária. Diante das reivindicações, porém, a ex-prefeita Rosinha Garotinho preferiu o silêncio.

Em junho de 2013, duas semanas após manifestação pacífica que levou 200 guardas municipais e funcionários de limpeza pública para a sede da Prefeitura, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Campos (Siprosep) elaborou uma pauta que incluía, além do PCS, isonomia para fiscais, auxílio social para aposentados e pensionistas, gratificação salarial e pagamento de risco de vida aos auxiliares de guarda.

Os professores de creches e escolas municipais de Campos, porém, voltaram a reivindicar melhorias trabalhistas no dia 23 de setembro daquele ano. Os manifestantes pediam aumento de 100% no piso salarial e no vale alimenta- ção, eleições diretas para direção das unidades e regência para professores que estão em sala de aula.

Apenas um dia antes de o PCS ser sancionado, mais de 150 servidores seguiram em carreata pelas ruas da cidade contra o corte de direitos trabalhistas. De acordo com eles, o plano de saúde e o vale-transporte estavam suspensos há mais de quatro meses. Mesmo após a sanção, os protestos continuaram. Menos de duas semanas depois, professores da rede municipal de ensino voltaram a cruzar os braços por reajuste e reposição de perdas salariais, merenda, material didático , infraestrutura de qualidade, assistência à saúde e incorporação da gratificação. Hoje, o funcionalismo público campista rema contra as mudanças no cenário nacional e desmandos na esfera municipal, enquanto tenta garantir o reajuste anual.

“Em Campos, as principais demandas são a data-base, cujo reajuste está sendo negociado com o Governo, e o déficit no Plano de Previdência, além de questões que acabam vindo com a crise nacional, que é crítica, como o congelamento dos gastos públicos e a autorização da terceirização ampla”, afirma Eduardo Chamarelli, que é secretário geral da Federação dos Servidores Públicos Municipais no Estado do Rio de Janeiro. Ainda no fim do governo Rosinha, foi tornada pública a suposta existência de um rombo de R$ 400 milhões no Instituto de Previdência dos Servidores de Campos (PreviCampos), que passa por uma auditoria.

Plano de Saúde, reajustes e equiparação, são alguns dos sonhos dos servidores order dopoxetine

Apesar da implementação do PCS, muitas das reivindicações do funcionalismo municipal permanecem as mesmas. De acordo com Sérgio Almeida, presidente do Siprosep, os servidores lutam por reajuste nos auxílios, equiparação de funcionários que exerçam as mesmas funções e uma assistência de saúde que funcione.

“Nosso auxílio alimentação não tem aumento há alguns anos. Queremos atrelar os reajustes dos auxílios aos do
salário. Assim, não precisaremos negociar separadamente cada um deles. Trabalhamos também para que funcionários que exerçam funções idênticas tenham equiparação de gratificações, independentes de serem técnicos, auxiliares ou qualquer outra coisa”, diz Sérgio, acrescentando: “Nós temos uma caixa de assistência de saúde, que foi aprovada no ano passado pela Câmara. A caixa pode fazer convênio com hospitais, laboratórios e clínicas. Já tem até presidente. A única coisa que falta é dinheiro. Nunca houve nenhum depósito. Queremos ver com o atual prefeito se ele quer continuar com a caixa ou se vai fazer um plano de saúde. Não abrimos mão da assistência de saúde”.

No último dia 21, o vereador Cláudio Andrade solicitou, em sessão da Câmara, reabertura do debate sobre o plano de saúde dos servidores do município. “Os vereadores precisam entrar em consenso e, juntos à comissão de Saúde, trabalhar com afinco em busca de uma solução razoável que contemple o servidor sem onerar em demasia a já combalida administração pública de Campos”, afirmou o vereador.

O presidente da Casa, Marcão Gomes (REDE), afirmou que a luta pelo plano de saúde dos servidores públicos municipais é antiga, tendo iniciado ainda durante seu mandato como vereador de oposição, e não será abandonada.