Entenda o que muda após o prefeito Rafael Diniz decretar emergência na Saúde

Para o prefeito, a falta de medicamentos e insumos na rede hospitalar é o problema mais grave

Campos
Por Ulli Marques
6 de janeiro de 2017 - 17h55
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Segundo Rafael, os estoques estão zerados no HGG e no HFM (Foto: Carlos Grevi)

“Nosso Governo elegeu a saúde como a prioridade e o abastecimento de medicamentos e insumos dentro da rede hospitalar a ‘prioridade maior’”. A informação é do prefeito Rafael Diniz, que decretou Situação de Emergência na Saúde Pública por 180 dias. O decreto foi publicado no Diário Oficial desta sexta-feira (6). Em reunião de esclarecimento à imprensa, na sede da Prefeitura de Campos, Rafael disse que a medida permite acionar tanto o Governo Estadual quanto Federal, caso seja necessário, para o enfrentamento dos problemas encontrados nos hospitais.

O prefeito explicou que a secretária de Saúde, Fabiana Catalani, apresentou um ofício acompanhado de um relatório minucioso demonstrando a atual situação da Saúde em Campos. Esse documento foi entregue à Secretaria de Transparência e Controle e a Procuradoria Geral do Município, onde técnicos orientaram a decretação do Estado de Emergência porque, segundo ele, “não havia alternativa”.

“A verdade é que, independentemente do relatório, eu pude conhecer de perto os nossos principais hospitais e percebi que a situação é péssima. Mas a partir de agora, a nossa primeira tarefa é buscar uma alternativa legal para colocar medicamentos e insumos dentro dos nossos hospitais, porque estamos com estoques zerados. Posteriormente, vamos trabalhar para entender qual é, de fato, a realidade da nossa saúde e buscar condições financeiras para também melhorar a estrutura da nossa rede hospitalar e, dessa forma, atender a população”, afirmou o prefeito.

Sobre o decreto ter a duração de 180 dias, Rafael esclareceu que esse é um prazo estimado para solucionar, ao menos, as questões emergenciais. “Não podemos nos ‘afobar’ porque há muita responsabilidade em jogo. Já se passaram oito anos de abandono na saúde e eu considerei necessário pelo menos 180 dias, 6 meses, para tentarmos resolver o grande problema que é a colocação de medicamentos e insumos dentro da nossa rede hospitalar”, frisou.

A equipe de reportagem do Jornal Terceira Via questionou o que mais chocou o prefeito durante as visitas aos hospitais, que aconteceram nesta primeira semana de gestão. Rafael respondeu que “o calor enfrentado pelos pacientes internados no Hospital Geral de Guarus (HGG) era desesperador”. “Infelizmente várias situações me chocaram, mas eu acho que a falta de respeito com a população enferma é a mais grave. Além da falta de medicamentos e insumos, que já é um absurdo, o calor dentro do HGG era desesperador. Mesmo com as altas temperaturas que nós estamos enfrentando, estava mais fresco do lado de fora do hospital do que dentro. Isso me chamou muito a atenção”, lamentou.

Rafael disse ainda que, na Sala de Raio X do HGG, a denúncia é de que o ar condicionado está quebrado há mais de seis anos. Quando questionado sobre qual das unidades hospitalares encontra-se mais depredada, o prefeito não soube dizer. “Os dois hospitais estão péssimos. O Centro Cirúrgico do Hospital Ferreira Machado, por exemplo, virou um cemitério de aparelhos quebrados. Aparelhos caros que estão lá abandonados por falta de manutenção. Ou seja, essa é uma demonstração clara da falta de responsabilidade com a coisa que é pública”, afirmou o prefeito.

“Agora a nossa tarefa é trabalhar para solucionar essas questões. Lamentamos pelo que está acontecendo com a Saúde Pública, mas também atuamos para resolver de forma ágil e competente”, concluiu.

Clique e leia aqui, na íntegra, o decreto em que o prefeito declara a Situação de Emergência na Saúde Pública.