Saúde que afunda em Campos tem dados só na superfície

Prefeito e secretária de Saúde falaram dos desafios para a área em 2017

Campos
Por Thiago Gomes
28 de dezembro de 2016 - 16h20
Carlos Grevi

Fabiana Catalani e Rafael Diniz concederam entrevista coletiva (Foto: Carlos Grevi)

A próxima secretária de Saúde, Fabiana Catalani, vai assumir a pasta no governo Rafael Diniz, sem saber, de fato, o tamanho do problema que encontrará a partir de 1º de janeiro de 2017. Em entrevista coletiva, na tarde desta quarta-feira (28), ao lado de Diniz, Catalani definiu a Saúde de Campos como “uma tragédia”, elencou os principais desafios da área, que não foram poucos, e afirmou que o montante da dívida da pasta, por exemplo, não foi repassado pela equipe de transição da prefeita Rosinha Garotinho. No diagnóstico do futuro prefeito, não faltou verba, mas uma gestão eficiente.

Segundo Catalani, os problemas vão de desabastecimento de materiais nos hospitais e Unidades Básicas de Saúde (UBS) a dívidas com servidores terceirizados, passando por sucateamento de ambulâncias, atendimento precário de urgência e emergência e vários outros pontos elencados durante a entrevista.

“Hoje vivemos uma tragédia na Saúde. Ficamos muito preocupados com os inúmeros relatos que nos chegaram dos profissionais de saúde sobre desabastecimento de materiais, medicamentos e demais insumos em todas as unidades médicas do município. O mesmo acontece na assistência odontológica”, disse a futura secretária de Saúde.

A superlotação do Hospital Ferreira Machado (HFM) e do Hospital Geral de Guarus (HGG) também foi apontada. “Os corredores estão abarrotados de pacientes e, pelo que sabemos, há grande dificuldade de acesso deles aos hospitais conveniados por causa de atraso de repasse”, informou Catalani. Ela detalhou que o atendimento de urgência e emergência deveria ser prestado no HFM e no HGG e, após estabilização do paciente, ele deveria ser encaminhado a uma das quatro unidades conveniadas (Álvaro Alvim, Plantadores de Cana, Santa Casa e Beneficência Portuguesa). “No entanto, o fluxo de saída destes pacientes está sendo dificultado por causa da dívida da Prefeitura com estes hospitais. Mas não nos foi informado o tamanho desse débito”, completou a nova secretária.

Além dos hospitais, a rede de Saúde do município conta com 26 postos de Estratégia Saúde da Família (antigo Programa Saúde da Família – PSF) e cerca de 80 UBSs. A estrutura física destes pontos de atendimento também é uma preocupação dos novos gestores. “Estava no HFM quando houve aquela última chuva forte e o hospital ficou inundado. Os centros cirúrgicos estão com infiltração e mofo”, disse Fabiana.

De acordo com a avaliação de Rafael Diniz, não faltou recurso para a Saúde do município nos últimos anos. “O que faltou foi a gestão desse orçamento de maneira eficiente. E é isso que vamos fazer a partir do próximo ano. A situação da Saúde em nossa cidade não é algo que conseguiremos resolver de uma hora para a outra, mas vamos transformar as unidades de dentro para fora, com a ajuda dos servidores, garantindo melhores condições de trabalho para eles e atendimento digno para a população”, finalizou o prefeito.