Vice-prefeita fala sobre futuro e desafios

Rafael Diniz buscava desesperadamente um vice, e acabou encontrando uma vice, a primeira da história de Campos

Campos
Por Redação
26 de dezembro de 2016 - 7h00
Conceição Sant’Anna é a primeira vice-prefeita da história de Campos

Conceição Sant’Anna é a primeira vice-prefeita da história de Campos

 

Poucos sabem quem é a primeira vice-prefeita da história de Campos. Sabem que se chama Conceição Sant’Anna. Em sua primeira entrevista desde que foi eleita na chapa de Rafael Diniz, Conceição que é assistente social, especialista em terceira idade, completou 62 anos, mas nem parece. Ela quer influir no governo e não pediu pasta. É divorciada e morre de paixão pelo neto. Uma mulher comum, em um lugar incomum, pelo menos até aqui. Mas nada disso assusta essa mulher que foi escolhida em cima da hora, quando Rafael precisava de um vice desesperadamente. A contar dessa entrevista, ele arrumou uma “senhora” vice-prefeita no sentido superlativo da expressão. No outro sentido, até que nem tão senhora assim.

 

Primeira entrevista e primeira mulher vice-prefeita. Não há na história uma mulher como vice-prefeita. Há?

Acho que não.

 

Acertou. Não havia prefeita, embora tenhamos uma prefeita até o dia 31. E aí, o que é que passa pela sua cabeça? Você sabe que foi escolhida em meio a uma crise…

É verdade. Eu fiquei muito feliz com a escolha, de ter sido escolhida por Rafael para essa missão, que é uma missão que teremos que cumprir. Uma missão bem árdua no início, porque a gente sabe que nós vamos encontrar uma Campos com muitas dificuldades, mas na época foi uma coisa que eu nunca pensei em ser na vida, política, porque eu não sou política, não é? Mas aceitei o desafio. Eu acho que a vida é feita de desafios, ainda mais ao lado de Rafael que é uma pessoa que eu confio plenamente, nas ideias dele. Eu acho que Rafael tem grandes ideias, tem muita garra por tudo que ele faz, é uma pessoa que eu conheço desde criança, e venho acompanhando o Rafael na política, e na política ele desempenhou muito bem os quatro anos de mandato como vereador. Então eu acho, eu tinha certeza que como prefeito eleito ele seria e será muito bom para Campos.

 

Está no seu DNA a sua força de profissão, de situação, essa relação com os idosos, que hoje se paga terceira idade, melhor idade e tal. E a gente está cada vez mais com a população envelhecendo. Nós temos mais pessoas antigas do que antigamente. Você vai para o Governo com algum projeto de cuidar dessa área, de tentar equacionar os problemas que existem entorno desse?

Pois é. Eu não quis secretaria nenhuma, eu acho que a minha conversa com o nosso prefeito foi que eu não pegaria secretaria nenhuma. Na verdade, se caso eu viesse a pegar uma secretaria, deveria ser a de Desenvolvimento Social Humano, antiga Promoção Social, o que eu não quis. Eu acho que nós fizemos uma campanha inteira onde Campos seria diferente, e esse diferente, eu não seria a diferença se eu assumisse uma secretaria, não é? Até porque eu já venho trabalhando com isso há mais de 26 anos, já estive em Conselho Municipal do Idoso… Então por essa questão eu não seria diferente. E aí nós escolhemos a Sana Ximenes para assumir a secretaria de Promoção e Desenvolvimento Social que está muito ligada ao programa do idoso, que está dentro dessa secretaria. E como assistente social, e como gosto da área social, hoje, como vice-prefeita, eu vou estar junto com Sana, ajudando nas questões da terceira idade. Porque Campos… Nós vivemos em um país de idosos, de pessoas velhas… Velhas é o termo, não que a gente queira dizer que a pessoa está “velha”, mas é um país de pessoas velhas. Hoje Campos tem 12% da população idosa. Então esses projetos ligados à secretaria, eu quero estar junto com a Sana. E ela como uma pessoa maravilhosa, já me convidou para a gente estar juntas trabalhando nisso aí… Então eu não acho que o vice-prefeito tem que, por obrigação, ter uma secretaria, ele tem que estar junto, ao lado do prefeito fazendo alguma coisa, aquilo que ele sabe. Aquilo que ele não sabe, ele vai aprender para ajudar. E a minha parte junto ao Rafael Diniz será um todo, mas bem direcionado realmente a parte do idoso, tendo esse carinho maior mesmo, porque é o que eu gosto, realmente.

 

Então o que você estaria pensando é o seguinte: você não tem pasta no governo, mas vai emprestar o que você acumulou de sabedoria a qualquer outra secretaria?

Sim, exatamente, a qualquer outra secretaria.

 

Você não vai entrar em cena apenas quando Rafael sair. Você vai ficar na cena. É isso?

É, eu gostaria sim. Eu acho que é isso aí que eu tenho que fazer, não é? Porque hoje a nossa cidade vive uma dificuldade muito grande, então nós vamos trabalhar, como bem diz o Rafael Diniz, nós queremos o povo com a gente. Nós queremos a comunidade, a sociedade campista, o campista junto com a gente, trabalhando. E esse junto, eu faço parte. Eu só estou como vice-prefeita, mas eu sou uma cidadã campista, e como tal, e eleita pelo povo, eu tenho que estar tomando conhecimento de tudo que se passa, junto com o prefeito, para que a gente possa estar sempre melhorando mais e mais. Porque a partir do momento que eu vejo alguma coisa, eu vou passar para o prefeito, entendeu? Porque nem tudo ele vai poder ver, não é verdade? Mas eu vou estar vendo, vou estar junto com as pessoas, principalmente com os idosos.

 

Agora… Vocês têm conversado muito? Assim… Não, eu queria saber se você tem conversado, nessa transição?

A transição tem… Como vocês têm visto aí, tem uma equipe de transição, que são aqueles que estão fazendo a transição. Eu não faço parte da transição. Eu faço parte de um contexto, onde a gente toma conhecimento do que está se passando na transição, mas não faço parte da transição. Mas nós trocamos ideias sim, sobre quais as possibilidades nós vamos encontrar e as barreiras que nós vamos encontrar pela frente. E a gente, da melhor maneira possível, junto com as pessoas da transição, a gente está tentando fazer o melhor.

 

Como você é especialista nisso, me diz uma coisa: você acha que a política de Campos que vocês estão substituindo agora, envelheceu?

Eu acho que a política de Campos caiu na mesmice. E o Rafael veio para tirar essa mesmice. Eu vejo desse lado aí. Campos sempre foi uma cidade muito tradicionalista em tudo. Você pertence a que família… É tipo assim, o seu filho está namorando uma menina, ela pertence a que família? É uma tradição de Campos, entendeu? Eles não queriam… Eu acho que o governo sempre foi… A nossa cidade é muito apegada a essas coisas, o campista em si é assim. E eu acho que Rafael entrou para fazer realmente essa diferença. Você vê pelo próprio secretariado nosso, são pessoas jovens. Nós estamos colocando pessoas que nunca estiveram na política, que não têm vícios na política. Olha só, uma revolução para Campos, eu acho. E é isso aí que a gente quer, fazer realmente a diferença.

 

Me desculpe a indiscrição da pergunta. Talvez você seja a pessoa mais experiente em idade do Governo, não?

Sim, eu até mexo com eles. Eles me chamam de tia, aí eu falo assim, estou amando isso tudo, porque eu sou a idosa do grupo (risos) e eu fico muito feliz com isso. Isso me envaideceu se você quer saber. Por que me envaideceu? Depois de… Eu estive a frente do Asilo do Carmo 26 anos, é tempo, não é? Vinte e seis anos lá, trabalhando e tal… E há uns três anos atrás eu achei que eu deveria mudar aquilo ali. São os propósitos de Deus que você às vezes não entende e você só vai entender quando acontece. E eu resolvi indicar um jovem também, o André Araújo, porque eu acho que o jovem tem… O idoso tem a bagagem de experiência, vê se você me entende. E o jovem tem um sonho pela frente de fazer, mudar e acontecer. E assim eu fiz no Asilo. Coloquei também um jovem. E eu falava que Campos também precisa sair da mesmice, entendeu? Aí vem o Rafael Diniz, olha só, e me convida… Vê se eu não tenho que me orgulhar? Eu, aos 62 anos, estar ao lado de um menino de 33 anos cheio de ideais. Então isso nunca vai deixar… Até porque a idade, a velhice, está na cabeça da gente, não é?

 

Não é o teu caso?

Não, é sim. Mas é verdade. A velhice está na cabeça da gente, das pessoas em si. Eu não estou velha, eu tenho idade, mas eu não me sinto muito velha. Me sinto ainda uma pessoa capaz, só não aguentei correr atrás de Rafael, tá? (risos)

 

Me diga outra coisa: em casa, como é que ficou essa responsabilidade? Como é que ficou a sua vida particular?

Pois é. Minha vida deu uma reviravolta, não é? Do dia 3 de agosto, mais ou menos, quando Rafael me fez esse convite para cá, minha vida deu uma virada muito grande. Até porque eu  achei, eu vou ser, participar com Rafael disso aí… Achava que Rafael tinha grandes possibilidades de ganhar, mas dentro da minha casa houve uma mudança muito grande. Porque eu pegava o meu neto na escola, não pude mais fazer isso, claro. Eu tenho uma mãe de 87 anos, tenho uma tia de 88, elas moram, não junto comigo, mas próximas, onde eu ajudava a estar olhando e tudo. E aí eu tive que mudar toda a minha rotina, mas mudei numa boa. Achei o maior barato, entendeu? Apesar de não ter a idade deles, do grupo, mas eu tentei acompanhar e consegui acompanhar, e consegui mudar a minha vida. A rotina hoje, após a eleição, é que ficou até… Porque o Rafael virou um popstar, a verdade é essa aí. O garoto é bom, virou um popstar. E eu virei uma meio-popstar. Quando você sai, as pessoas te cumprimentam, falam… Isso, para mim, aumenta muito mais a nossa responsabilidade. A credibilidade que as pessoas estão depositando na gente, de que a gente possa e a gente tem obrigação de fazer um excelente governo.

 

Você é casada?

Não, eu sou divorciada. Melhor né? Porque se eu tivesse marido… “Não pode isso”, “não pode aquilo”… Você tem que sair, você tem que acompanhar muita coisa… Eu sou uma mulher que eu gosto, mesmo se eu tivesse um marido, ele iria aceitar numa boa. Faz parte, a vida não pode parar porque você é casada ou não… […] Eu tenho uma filha linda e maravilhosa, um genro maravilhoso e sou uma mulher comum como outra qualquer com casa, filhos, genro, neto e uma vida política agora pela frente.

 

Você vai entrar em um turbilhão agora, não há como sair. Você está em um governo em que o vice tende a influir. Qual é o seu hobby para às vezes se desfocar da política?

Olha só… Eu sempre gostei muito de trabalhar, eu trabalho desde os 18 anos, mas eu acho que o trabalho tem que ficar lá e eu tenho que ter a minha vida aqui, até porque senão você entra em um estresse muito grande. Com a política é a mesma coisa. Sendo que a política, eu sei que ela vai consumir muito mais, porque aonde você for, você vai falar de política. Até porque o governo é diferente, entendeu? Então onde você vai, se eu entro em uma loja, as pessoas perguntam… Agora o meu hobby, eu pretendo sim sair um pouquinho aos finais de semana, vou até Grussaí se for possível, tenho outro lugar mais longe um pouquinho… Desde o momento que eu não tire a minha responsabilidade do lugar, mas não estar falando de política toda hora quando estiver em grupos. Quero passear e me distrair. E o meu hobby maior mesmo, se você quer saber, é o meu neto. Passear com ele, poder continuar fazendo com ele o que eu faço hoje. Porque eu sou uma pessoa como outra qualquer, eu só estou vice.

 

Dizem que os vices acabam ficando viciados em política. Você acha que esse é só um cometa que está passando ou você corre o risco de ficar viciada?

Olha, eu acho que não corro esse risco, não. Na minha vida eu sempre faço aquilo que eu quero. Eu posso gostar da política? Meu pai era político, gostava muito de política. Meu pai chegou a ser candidato várias vezes na época, com o então avô de Rafael Diniz. Eu tenho um pezinho na política, gostava de acompanhar meu pai… Mas nunca almejei a política. Será que eu vou gostar? Não sei. Será que eu vou… Eu acredito até que eu vá gostar, mas será que eu vou querer me engajar em outra coisa? No momento não, não penso, não. No momento eu só penso em ser uma vice do Rafael Diniz e ajudá-lo.

 

Como é que é a sua relação com Beatriz? Beatriz tende, pelo que eu percebo, a estar muito próxima do filho. Vocês conversam?

Olha, Beatriz é uma pessoa maravilhosa e eu acho que ela está certíssima de estar perto de Rafael, junto com a gente ajudando… Eu acho que vai ser tudo de bom. Até porque é uma mulher inteligentíssima, já foi secretária de Educação… Então eu acho que ela tem tudo para estar do nosso lado. Eu tenho um bom relacionamento com ela, então eu acho que vai ser maravilhoso. Ela do nosso lado é tudo de bom. Não precisa ter cargo para ajudar o filho, ajudar o Rafael. Precisa só de amor mesmo, que ela tem sobrando pelo filho dela, e ser a pessoa que ela é mesmo, maravilhosa. E a dona Zaíra, gente? A dona Zaíra é uma pessoa maravilhosa, os conselhos dela são maravilhosos…

 

Essa entrevista vai ser lida no dia de Natal. O que o grupo político do Rafael Diniz gostaria de ganhar de Natal, de presente, no sentido abstrato, lógico. O que seria bom?

Para nós, agora? Gente… O que mais seria maravilhoso para nós não aconteceu. Tenho certeza que todo o grupo está pensando isso. Deveria ter sido a transição bem feita, com amor, sem revanchismo, mas isso não aconteceu. Esse seria o melhor presente para nós, pode ter certeza disso. Não só para nós, mas para toda Campos. Isso não aconteceu. Então politicamente eu acho que o melhor presente de Natal para a gente, a gente está pedindo muito a Deus… Porque Natal para mim é todo dia, sabe? Todos os dias têm que ser Natal, todo dia eu tenho que olhar para você com bons olhos. Todos os dias eu tenho que te dar um bom dia, mesmo sem conhecer. Eu tenho essa mania de dar bom dia. Eu acho que isso é Natal, porque você é educado. Você não precisa ser educado e nem dar carinho só no Natal. Então nosso grupo político, como eu te falei, é um grupo político bom, eu tenho certeza que todos nós estamos, nesse dia, mesmo que não estejamos juntos, mas estamos já pensando… Estamos pedindo muito a Deus que nos dê sabedoria, que nos dê muita paz… Esse é o presente que a gente precisa de Deus, todas as bênçãos em cima desse grupo que vai estar junto. E isso vai acontecer, se Deus quiser, porque todos nós temos uma fé muito grande, cada um em sua religião. Então a gente pede a Deus que nos dê isso. Esse é um presente nosso. Agora o maior presente nosso é que a população compreenda realmente a atual situação da cidade. E que a gente possa ter uma gestão maravilhosa. Eu acho que esse vai ser o melhor presente para nós.