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Centro Histórico: quatro anos de obras e poluição visual continua

O projeto incluía a substituição dos postes por fiação subterrânea, mas isso não aconteceu

Campos
Por Redação
20 de dezembro de 2016 - 8h39
Emaranhado de fios causa poluição visual (Foto: JTV)

Emaranhado de fios causa poluição visual no Centro Histórico de Campos (Foto: JTV)

A “novela” da revitalização do Centro Histórico de Campos parece não ter fim. Isso porque já se passaram mais de quatro anos desde que as obras começaram a ser executadas e, no entanto, algumas intervenções ainda não saíram do papel. A substituição da rede elétrica aérea  pelas caixas e tubos subterrâneos é um exemplo disso. Faltando duas semanas para a saída da atual Gestão Municipal, a fiação continua “emaranhada” o que contribui para a poluição visual e também representa perigo para os pedestres que circulam pelas ruas do Centro diariamente.

O projeto de revitalização do Centro Histórico previa que, assim que toda a obra de revitalização fosse concluída, fosse também efetuada, de forma gradativa, a substituição da rede elétrica aérea  com implantação de caixas subterrâneas e  tubos de passagem de cabo da rede elétrica, telefonia,  internet, TV, entre outros. Em 2015, o Jornal Terceira Via publicou outra reportagem denunciando a demora na retirada dos postes. Este ano, também foram publicadas matérias sobre a paralisação das obras e sobre alguns trechos que já estavam prontos precisaram ser refeitos.

Segundo o presidente da Associação dos Comerciantes da Rua João Pessoa e Adjacências (Cajopa), João Waked, há cerca de seis meses ele foi informado por engenheiros da Imbeg (empresa de construção civil responsável pelas obras), que dos 145 postes do Centro Histórico de Campos, 22 já estariam “cadeados”, isto é, prontos para serem retirados. No entanto, os engenheiros afirmaram que a responsabilidade pela retirada desses postes e da transferência da viação aérea  pela subterrânea é da Enel Distribuidora Rio (antiga Ampla).

“Esses 22 postes que já poderiam ter sido retirados estão localizados no trecho da Avenida Sete de Setembro com a Rua Teotônio Ferreira de Araújo. Ou seja, parte do Centro Histórico poderia estar menos poluída visualmente, mas nada foi feito até o momento. É triste saber que a obra está praticamente concluída, que foi feito um investimento ‘pesado’ pela Prefeitura de Campos, mas que esse investimento não foi colocado em prática. Enquanto a luz está funcionando e os comerciantes estão pagando, parece que está tudo bem”, lamentou o presidente.

João acrescentou ainda a necessidade de destacar os prédios históricos do município que hoje estão ofuscados pela poluição visual causada pela fiação aérea. “O Centro já melhorou bastante, mas infelizmente ainda não tivemos aquele impacto que esperávamos porque a fiação ainda atrapalha a visualização das belezas históricas dessa área. Estamos esperançosos de que a próxima gestão municipal se preocupe com essa questão e contribua para a conclusão dessas obras”, disse.

O presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas, Joilson Barcelos, também comentou sobre a retirada dos postes. De acordo com ele, a Prefeitura de Campos propôs uma “obra ousada” quando prometeu remover a fiação aérea das ruas da área central. “O problema está no atraso da conclusão dessa obra. Toda a estrutura para o recebimento dos cabos subterrâneos já está pronta, mas as concessionárias não estariam se entendendo. É verdade que seria muito interessante se o Centro de Campos não tivesse esses fios, assim como não há no Centro do Rio de Janeiro, mas o que nos resta é esperar a posição do próximo governo para esse assunto”, declarou.

RESPOSTA DA ENEL (ANTIGA AMPLA)

Em nota, a Enel Distribuição Rio informou que “a Prefeitura de Campos executou a obra civil e eletromecânica de fiação subterrânea do Centro Histórico sem que o projeto fosse previamente aprovado pela distribuidora de energia, o que é necessário em casos de obras que afetem a rede elétrica”. Por este motivo, “uma vistoria técnica feita pela companhia detectou diversas inconformidades na execução do serviço, que deverão ser reparadas pelo governo municipal”. Dessa forma, a Enel Distribuição Rio esclareceu que “a rede aérea só poderá ser retirada quando os reparos forem feitos pelo município”.

RESPOSTA DA PREFEITURA DE CAMPOS

Sempre respeitando o princípio do contraditório, a equipe de reportagem do Terceira Via entrou em contato por e-mail com a Superintendência de Comunicação Social, responsável por emitir notas dos demais órgãos da Prefeitura de Campos, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. Ainda assim, o jornal aguarda e publicará a versão da Secretaria Municipal de Obras para este fato.

REVITALIZAÇÃO DO CENTRO HISTÓRICO

Projeto do Centro Histórico (Foto: Divulgação)

Projeto do Centro (Foto: Divulgação)

As obras de revitalização, orçada em R$ 65,4 milhões começaram em junho de 2012 e tinham prazo de conclusão de três anos. Entre as intervenções previstas no projeto estava a reforma do sistema de drenagem, pavimentação e conversão das redes concessionárias de iluminação e telefonia, além de melhorar as condições do asfalto, das galerias pluviais e da rede esgoto.

Outras intervenções incluídas no projeto original estavam: a adequação das calçadas para pedestres, arborização, construção de plataformas de travessia nos cruzamentos, facilitando a locomoção dos cadeirantes, além de requalificação de áreas verdes e padronização do tamanho dos letreiros das lojas. Essa revitalização é um sonho antigo dos comerciantes do Centro Histórico que esperavam trabalhar em um local com infra-estrutura adequada e acessibilidade.